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Cuiabá MT, Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 22 de Maio de 2010, 14h:36

VISITA

Mídia e intercâmbio

Jornalistas americanos, através do Rotary, visitam redação do DC para trocar informações sobre diferentes formas de noticiar no Brasil e nos EUA

Claudio de Oliveira
Da Reportagem
Trocar experiências. Ampliar os horizontes. Conhecer novas culturas. Novos modos de fazer. Associar isto à língua e à profissão. O resultado desta alquimia tem um nome simples: intercâmbio. Promover o intercâmbio de jovens profissionais na faixa dos 20 aos 40 anos é uma das intenções do Rotary. É claro que o Rotary em si tem outros objetivos que se coadunam a este (abaixo). No site do Rotary temos acesso a pelo menos vinte pontos que explicam porque ser rotariano, dentre eles, ressoa a necessidade do ser humano em construir redes de contato, mais do que isso rede de amigos, companheiros que se auxiliam e procuram juntos construir um mundo melhor. Estiveram na redação do jornal Diário de Cuiabá ciceroneados pelo presidente do Rotary Club Cuiabá Bosque, Gerson Queiroz da Silva, um grupo de jovens guiados por um Team Leader (líder), Thomas Rummel que é presidente do Rotary Rico Mar, em Pittsburgh, Pensilvânia. Falando um pouco de português, mas com boa compreensão do idioma Edward Biller, que é jornalista, queria conhecer a fundo o jornal e as práticas cotidianas. Desejo compartilhado por Celanie Polanick, também jornalista e ainda a professora Margherita Emanuele. Os jovens foram recebidos aqui em Cuiabá, na Assembleia Legislativa, no Palácio do Governo e em pelo menos duas universidades, a Unirondon e a Unic, e gostaram do que viram. Segundo Celanie “o nível é muito bom, as matérias que são oferecidas na grade são compatíveis com as necessidades atuais do mercado e estão bem atualizadas”. Todos se impressionaram com o tamanho da redação (news room) do jornal Diário de Cuiabá. Edward trabalha em um jornal com uma tiragem de mais ou menos quinze mil exemplares e ficou boquiaberto com o número de profissionais escalados para produzirem o jornal. Eles gostaram porque desta forma acreditam que podemos apurar melhor e contemplar o objetivo maior do jornalismo que é atender à população levando uma informação trabalhada e checada. Celanie falou da diferença na distribuição das editorias: “no meu jornal tínhamos oito profissionais e três eram responsáveis por esportes, ver aqui o peso que tem os assuntos da comunidade (Cidade) e da política, me dá a sensação que o jornalismo aqui tem mais a ver com o que devia ser o jornalismo” (tradução sempre minha). Para ela a preocupação de atender supostamente o gosto popular, de hipoteticamente atender aos interesses da comunidade, às vezes leva o jornalismo americano a dar valor a coisas que muitas vezes não têm valor ou não deveriam ter, por exemplo: “se a mamãe vê o seu filhinho que joga no time de beisebol da escola, no jornal, ela vai ficar feliz e comprar jornal” nas palavras dela: “parece que estamos mais preocupados em embalar um produto do que fazer jornalismo”. A pressão que estão acostumados a receber é justamente do mercado. As corporações, empresas com alto poder de convencimento. Os jovens questionaram a nossa realidade ao editor chefe, Anselmo Pinto, que explicou que aqui o poder político ainda é a maior força que enfrentam os jornalistas cotidianamente. Sobre a hierarquização da notícia e a definição das pautas, a pergunta vem com um parêntese: “por favor, sem teoria jornalística”, pede Celanie, que queria conhecer do ponto de vista cultural o que podia caracterizar esta prática aqui. Anselmo esclarece que devido ao alto índice de corrupção e a violência que enfrentamos, normalmente estes assuntos se impõem na pauta. Eles também quiseram saber por que as tiragens somadas dos três maiores jornais ainda parecem pequenas para uma cidade de 700 mil habitantes. Arriscamos: preço, nível de instrução, competição “desleal” com o carisma da televisão, enfim, o veículo nascido para as massas, no Brasil, definitivamente não foi o jornal. Os jovens profissionais que visitaram o DC fazem parte de um programa de intercâmbio internacional do Rotary que favorece jovens na faixa etária citada. Hoje quatro jovens matogrossenses estão também nos Estados Unidos vivendo a “mesma” experiência. Estes jovens não podem ter ligação nenhuma de parentesco com nenhum rotariano. Segundo o presidente Gerson, eles devem se inscrever quando houver a abertura das inscrições e passar pelo processo de seleção que inclui teste psicológico, entrevista, conhecimento do idioma e análise de currículo. É tudo gratuito. Este ano as inscrições estão previstas para setembro. Rotary O Rotary Internacional é a associação de Rotary Clubs do mundo inteiro. O Rotary é uma organização de líderes de negócios e profissionais, que prestam serviços humanitários, fomentam um elevado padrão de ética em todas as profissões, através da Prova Quádrupla (confira ao final da matéria) e ajudam a estabelecer a paz e a boa vontade no mundo. Rotary Club é definido como um club de serviços à comunidade local e mundial sem fins lucrativos, não é secreto, nem filantrópico ou social. Os rotarianos são sócios de seus respectivos Rotary Clubs, os quais, por sua vez, são membros do Rotary International. O objetivo do Rotary é estimular e fomentar o Ideal de Servir como base de todo empreendimento digno, promovendo e apoiando: 1) O desenvolvimento do companheirismo como elemento capaz de proporcionar oportunidade de servir; 2) O reconhecimento do mérito de toda a ocupação útil e a difusão das normas de ética profissional; 3) A melhoria da comunidade pela conduta exemplar de cada um na sua vida pública e privada; 4) A aproximação dos profissionais de todo o mundo, visando a consolidação das boas relações, da cooperação e da paz entre as nações. Seu lema principal é: Dar de si antes de pensar em si. O primeiro Rotary Club foi fundado na cidade de Chicago, Estados Unidos, em 1905 pelo advogado Paul Percy Harris e mais três homens de negócios, Gustav Loehr - engenheiro de minas, Hiran Shorey - alfaiate, Silvester Schiele - comerciante de carvão. A Associação Nacional de Rotary Clubs (National Association of Rotary Clubs) foi fundada em 1910 e em 1912 seu nome mudou para Rotary International em função da admissão do primeiro Rotary Club fora dos Estados Unidos, em Winnipeg, Canadá. Atualmente, existem mais de 1,2 milhão de rotarianos associados a mais de 32.400 Rotary Clubs espalhados por 168 países do mundo. Prova Quádrupla: Do que nós pensamos, dizemos ou fazemos: 1. É a VERDADE? 2. É JUSTO para todos os interessados? 3. Criará BOA VONTADE e MELHORES AMIZADES? 4. Será BENÉFICO para todos os interessados?

Edição EDIÇÃO 16959




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