ILUSTRADO
Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2010, 08h:57
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CINEMA
Jesus e suas versões
A partir do próximo sábado, até a Sexta-feira da Paixão, mostra de filmes vai expor diferentes faces de Jesus segundo a sétima arte
Jesus Cristo, o maior ícone da humanidade de todos os tempos, segundo a ótica de vários cineastas e suas distintas estéticas cinematográficas. Essa é a oferta do Centro Burnier Fé e Justiça (CBFJ) e a Paróquia do Rosário e São Benedito. O CBFJ e as paróquias organizam um breve festival, com sessões aos sábados, a partir do próximo (27/02), com encerramento em dois de abril, a Sexta-feira da Paixão. São filmes que discorrem sobre a vida de Jesus Cristo na perspectiva de importantes diretores de cinema, alguns entre os mais badalados e/ou polêmicos em toda a curta história do cinema, q1ue tem pouco mais de um século. Entre os filmes programados estão, por exemplo, O Evangelho Segundo São Mateus, do cineasta italiano Píer Paolo Pasolini, e A Última Tentação de Cristo, do americano Martim Scorsese. O Vídeo Fórum sobre a Vida de Jesus, conforme é denominado o evento, é uma atividade cultural a ser oferecida durante a Quaresma (17 de fevereiro a 27 de março), como preparação para Semana Santa (28 de março a 4 de abril). Os filmes selecionados para a mostra trazem tanto o Cristo clássico quanto a figura controversa, que tem sido alvo de questionamentos e polêmicas no cinema e na literatura universal ao longo dos tempos. As obras serão exibidas em telão, sempre aos sábados, das 17 às 20 horas, na sala 4 da Paróquia Nossa Senhora do Rosário e São Benedito. O endereço fica na Praça do Rosário Centro de Cuiabá. Logo após a exibição vão acontecer os debates. A taxa de inscrição é R$ 12, valor que dá acesso a assistência de todos os filmes. A atividade tem por objetivo oferecer um espaço para o conhecimento e o aprofundamento sobre a vida de Jesus, partindo do modo como ele é visto pelo cinema. Os filmes No épico Jesus, o diretor norte-americano Roger Young traça a trajetória clássica do filho do carpinteiro, que descobre ao longo da vida a extraordinária missão que teria que enfrentar. Com participação da atriz inglesa Jacqueline Bisset, ícone da beleza na década de 60 e 70. Já o sempre polêmico diretor italiano Pier Paolo Pasolini, em O Evangelho Segundo São Mateus, revela um Cristo marxista. Porém, a igreja oficial não lhe virou as costas. Além de ter sido selecionado pelo Vaticano numa lista com 45 filmes de temas religiosos aprovados pela Igreja Católica, lista que, inclusive, deixou de fora, por exemplo, o épico grandiloqüente Os Dez Mandamentos, de Cecil B. DeMille. O filme de Pasolini recebeu o Grande Prêmio do Júri no Festival de Veneza e foi indicada a três Oscars: direção de arte, figurino e trilha sonora. Em O Evangelho Segundo São Mateus são realçados os aspectos simbólico e mítico, reforçados pelo recorrente uso da câmera enquadrando o sol sobre a cabeça de Cristo). O cineasta parece optar pela encenação sugestiva em vez da literalidade. Não se trata de fugir da violência dos atos cometidos contra Cristo, mas sim de mergulhar naquilo que o filme escolheu como maior objeto de investigação, e que definitivamente não diz respeito à porção carnal da história. Se há agressividade neste filme, esta deve ser procurada em outros aspectos que não o da tortura corporal. Pasolini fez um filme muito mais sobre a palavra de Cristo do que sobre sua vida ou seu calvário. Já Martin Scorcese, em A Última Tentação de Cristo, foca a face humana e errática e não o mito. Este Jesus de Scorsese, interpretado pelo brilhante Willem Dafoe, especialista em papéis de vilão, é um carpinteiro que vive um grande dilema: faz as cruzes com as quais os romanos crucificam seus oponentes. Jesus, portanto, se sente como um judeu que mata judeus. Este Cristo, convencido de que é o filho de Deus, salva Maria Madalena, reúne doze discípulos, prega o amor, mas seus ensinamentos são encarados como algo ameaçador. Então é preso e condenado a morrer na cruz. Já crucificado, é tentado a imaginar como teria sido sua vida se fosse uma pessoa comum. Nesse filme, Jesus é que aquele que, como qualquer um de nós, pode desistir, usar o livre arbítrio, voltar atrás, retomar a vida, corrigir erros ou não. Filme de excelente qualidade técnica, como quase tudo que Scorsese faz, mas também polêmico. Em tempos de liberdade e de amor livre, Jesus Cristo Superstar, de Normam Jewison, está entre hippies e os povos das ruas, cantando e dançando jazz, no musical que revolucionou o cinema tanto pelo ousado conteúdo, quanto o próprio estilo cinematográfico. O filme narra os sete últimos dias de Jesus na Terra, terminando na crucificação, mas sem contar a ressurreição, e tudo sob a visão atormentada de Judas Iscariotes. É uma mistura de passado e presente, pois os soldados romanos usam metralhadora e perseguem um Cristo hippie. Um grupo de atores convidados para encenar a Paixão de Cristo monta o cenário de conflitos e idéias em Jesus de Montreal, do canadense Denys Arcand, que, neste filme, faz um acerto de contas com sua formação religiosa ortodoxa e cristã. No entanto, entrega uma obra profunda e espiritualizada de referência cultural e religiosa. Em Jesus de Montreal, Arcand não questiona a doutrina cristã tradicional. Ao contrário, o cineasta canadense se vale do dogma primordial da fé a ressurreição para, como em outro filme seu, O Declínio do Império Americano, assim como, em As Invasões Bárbaras, criticar a ausência generalizada dos valores simbolizados pela religião (o senso do eterno, a compaixão, a amizade, o amor) em troca da instantaneidade e da superficialidade absolutas das relações humanas no Ocidente, advindas da onipresença do poder financeiro. Para finalizar a mostra, o filme A Paixão de Cristo, de Mel Gibson, expõe o açoite público pelo qual passou Cristo até o sepultamento, ferindo também o espectador, pelas cenas de violência física, defendidas pelo autor como meio necessário de sensibilização para o Cristo que morreu para nos salvar. As sessões são abertas, mas é necessária a inscrição prévia. Os organizadores vão fornecer certificado de extensão universitária pela UNISINOS Universidade do Vale do Rio dos Sinos, para quem tiver 75% de freqüência. Para isso será necessário fornecer, no ato de inscrição: nome completo, endereço, data de nascimento, número de RG e de CPF. Informações e inscrições podem ser obtidas na secretaria da Paróquia do Rosário (65-3322 5473); Secretaria do Centro Burnier Fé e Justiça (65-3023-2959), com Jurema; ou pela página web do Centro Burnier: www.centroburnier.com.br . (com assessoria) PROGRAMAÇÃO - 27 de fevereiro: Jesus, de Roger Young - 06 de março: O Evangelho Segundo São Mateus, de Pier Paolo Pasolini - 13 de março: A Última Tentação de Cristo, de Martin Scorcese - 20 de março: Jesus Cristo Superstar, de Normam Jewison - 27 de março: Jesus de Montreal, de Denys Arcand - 02 de abril: A Paixão de Cristo, de Mel Gibson