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Sábado, 01 de Agosto de 2009, 12h:27

SAUDADE

Jazz perde avant garde de Russell

Jotabê Medeiros
Agência Estado
Morreu na semana passada nos Estados Unidos, aos 86 anos, o mais influente nome da vanguarda jazzística no século 20, o pianista e maestro George Russell. Russell sofria do Mal de Alzheimer e morreu de complicações decorrentes da doença. Tão importante músico quanto teórico, Russell trabalhou com todas as grandes revoluções de sua época, do jazz free ao atonal, do jazz rock aos poliritmos africanos. Causou tanto impacto com a publicação do livro The Lydian Chromatic Concept of Tonal Organization, em 1953, que arrastou com suas ideias nomes seminais do jazz da época, como Miles Davis e John Coltrane. Foi bandleader do grupo Living Time Orchestra. Suas ideias e seu piano podem ser encontradas em mais de 30 discos, ao lado de gigantes como Bill Evans, John Coltrane, Dizzy Gillespie, Max Roach e Jan Garbarek. Russell contou uma vez uma história sobre a gravação de seu disco New York, NY, de 1958. Ele tinha convidado Coltrane para um solo. Coltrane ainda não era muito conhecido. No meio da sessão, o saxofonista pegou a partitura e sumiu. Os músicos acharam que, como ele era novo, podia ter dificuldades com a harmonia e queria praticar mais. Mas Coltrane, quando reapareceu, tinha reescrito a partitura, tornando-a ainda mais complicada. Russell foi indicado três vezes ao Grammy, e ganhou o American Music Award e o British Jazz Award, entre outros inúmeros prêmios. É tido como um renovador que deu combustível novo tanto ao cool jazz quanto ao jazz west coast, o estilo desenvolvido na Califórnia por músicos brancos. As ideias de Russell não eram facilmente deglutidas. Só três décadas e meia após o lançamento de um dos seus discos mais importantes, Jazz Workshop (1956), é que a gravadora BMG resolveu lançá-lo no Brasil. O trabalho tinha notas do reputado crítico Leonard Feather, que salientava que, apesar do experimentalismo, Russell tinha suingue, não soava pedante e fazia uma obra de vitalidade e organicidade. Dialogou com todas as facetas da vanguarda nos anos seguintes. Após trabalhar com lendas como Eric Dolphy, Bill Evans e Art Farmer, ele reuniu-se, em 1962, com músicos que fariam a revolução seguinte, como o então jovem baixista Steve Swallow (parceiro de Carla Bley), em um disco histórico de 1962. A banda tinha ainda Don Ellis no trompete, Pete LaRoca na bateria, o trombonista Garnett Brown e o sax tenor Paul Plummer. Russell deixou mulher, um filho e três netos.

Edição EDIÇÃO 16959




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