ILUSTRADO
Quarta-feira, 29 de Junho de 2011, 21h:38
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PAVILHÃO
Integração por música
Artistas de Cuiabá e do Vale do Araguaia mostram no Palácio da Instrução um pouco da riqueza sonora de MT
Martha Baptista
Da Reportagem
Integração, celebração, Pavilhão. Tudo rima, tudo combina, antecipando o que vai acontecer esta noite no Pavilhão das Artes, no Centro de Cuiabá. Artistas de Cuiabá e do Vale do Araguaia subirão ao palco montado no jardim do Palácio da Instrução para mostrar um pouco da riqueza sonora de Mato Grosso no projeto Pavilhão Sonoro uma iniciativa da Secretaria de Estado de Cultura (SEC-MT). De Barra do Garças (a 500 km de Cuiabá) veio o compositor, cantor e violonista Divino Arbués; de Nova Xavantina (630 km a leste da capital), o Grupo Malê, e, como representantes da música de Cuiabá, Paulo Monarco, Amauri Lobo e Fidel Fiori. A proposta da SEC-MT é promover a circulação da música produzida em Mato Grosso, estimular o intercâmbio entre músicos, fomentar e abrir espaço para o trabalho autoral, explica Magna Domingos, coordenadora do Pavilhão das Artes. O Pavilhão Sonoro é uma ação que possibilita ao público ter maior contato com a qualidade musical das diferentes regiões do estado e contribui para o conjunto de ações de fomento à cultura, estimulo ao processo criativo, à circulação e formação de plateia desenvolvida pelo governo, afirma o secretário de Cultura, João Malheiros. É intenção da SEC-MT promover outras edições do Pavilhão Sonoro, mas este primeiro espetáculo inova ao possibilitar o encontro do público cuiabano com representantes da música produzida no Vale do Araguaia, também conhecido como Vale dos Esquecidos, pelo fato de seus habitantes estarem quase sempre apartados das decisões políticas da capital e irem buscar soluções para muitas questões no estado vizinho de Goiás. E é de lá que vem Divino Arbués, que nasceu em Aragarças (GO), mas se mudou ainda menino para o outro lado do rio, radicando-se em Barra do Garças. Divino é talvez o mais conhecido artista da região do Araguaia e vai relembrar hoje canções como Quarto crescente e Noite em Cuiabá. Nesta última ele cria uma interface entre a cultura regional e a cuiabana. Embora seja um compositor do Araguaia, Divino define sua música como MPB regional, isto é, uma arte regional com apelo universal. Ele compara seu estilo ao de outros artistas conhecidos nacionalmente como a dupla Sá e Guarabira e o pernambucano Alceu Valença. Além de apresentar suas composições, Divino vai fazer uma participação especial durante a apresentação do Grupo Malê, formada pelo casal Alexandre Lemos (percussão e bateria) e Maíra Ribeiro (flauta e pífano). Paulistas, os dois estabeleceram-se em São Félix do Araguaia em 2009, mas hoje moram em Nova Xavantina. Maíra é bióloga e trabalha na Fundação Nacional do Índio (Funai) e, desde São Paulo, já se dedicava à música ao lado do marido e de outros músicos. Em Cuiabá, a dupla vai mostrar composições feitas no Araguaia, que trazem influências indígenas e estão sendo registradas no primeiro CD a ser lançado em meados do próximo semestre. O nome Malê é uma homenagem a escravos africanos de religião mulçumana que nunca aceitaram a escravidão e promoveram uma revolta na Bahia, em 1835. Malê é também, conta Maíra, a virada no maculelê - um tipo de dança que simula uma luta tribal trazida para o Brasil pelos negros malês. É ótimo poder tocar em Cuiabá. A gente tem pouca relação com a capital mato-grossense, comenta Maíra, que só se apresentou uma vez na cidade durante um encontro de agroecologia. Divino Arbués, que vai aproveitar a noite em Cuiabá para autografar seu livro Folhas e paisagens, de poesia e prosa, também acha muito importante a iniciativa do Pavilhão Sonoro: É uma oportunidade de encontro e intercâmbio entre artistas que já passaram no vestibular, mas precisam de oxigênio para seguir em frente. DE CUIABÁ Os músicos de Cuiabá não estão menos animados com a perspectiva de participar de um espetáculo inédito. O compositor Paulo Monarco, que vem conseguindo vários prêmios em festivais de música Brasil afora, torce pela continuidade do projeto Pavilhão Sonoro. Fico muito feliz de ter sido convidado para esta celebração da arte mato-grossense, diz Monarco, que chamou a amiga Estela Ceregatti para dividir o palco. Ele vai apresentar cinco de suas composições, dentro da linha que vem explorando em seus últimos shows, com o uso de pedais para ampliar as possibilidades do formato voz e violão. Os outros convidados da noite são o artista multimídia Amauri Lobo e o contrabaixista Fidel Fiori. Músico, compositor e instrumentista, Amauri começou seu trabalho no inicio dos anos 80, tocando em parceria com músicos como Pio Toledo, Eduardo Ferreira e Antônio Sodré, entre outros. Fidel Fiori é figura carimbada da noite cuiabana e já atuou no mercado nacional, acompanhando artistas de renome nacional e internacional como Roberto Sion, Gal Costa e o grupo 14 Bis. Ele está com novo CD na praça, Malária maldita. Não está prevista no roteiro do espetáculo uma apresentação conjunta de todos os convidados. Mas mesmo que não toquem juntos, será uma experiência interessante para o público assistir a uma amostra de personalidades e trabalhos tão diferenciados. Não deixa de ser mais uma prova de quão vasto e risco é este Mato Grosso. SERVIÇO O QUE: Pavilhão Sonoro QUANDO: hoje (quinta-feira), às 20h ONDE: Pavilhão das Artes Palácio da Instrução, em frente à Praça da República, Centro QUANTO: Entrada franca INFORMAÇÕES: 3613-9230