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Cuiabá MT, Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Terça-feira, 29 de Março de 2011, 20h:19

TRADUÇÃO

Clássico da literatura russa repaginado

Com o projeto gráfico e ilustrações marcantes de Hélio de Almeida, o selo Amarilys, da editora Manole, está lançando O duelo, de Anton Tchékhov, dando início à sua coleção de clássicos russos. A obra é uma tradução direta da língua russa e conta com prefácio da pesquisadora da USP e especialista em literatura russa Elena Vássina. A capa apresenta um conceito ousado. Exclusivamente tipográfica, não exibe o título, nem o nome do autor, apenas uma letra com efeito de profundidade. Além de conferir novo visual a obras clássicas, o objetivo é instigar o interesse do leitor em abrir o livro e explorar o que há por dentro dessas edições tão diferentes. O DUELO Escrito por Anton Tckékhov, autor consagrado como “pai” do teatro moderno e célebre por suas narrativas breves, O duelo foi publicado no formato de folhetins em onze edições do jornal Nóvoe Vriémia (Novo Tempo), em 1891. A obra, há anos fora de catálogo no Brasil, se destaca na produção literária de Tchékhov. Composta de 21 capítulos, é relativamente longa, em comparação à produção de contos do autor, que insistia na máxima “brevidade, irmã do talento”. Além disso, é um dos raros exemplos de “novela ideológica” na obra de um escritor que ficou conhecido como o menos “engajado” de sua época. No clássico, o zoólogo von Koren é defensor convicto das teorias de darwinismo social - corrente ideológica baseada no conceito da seleção natural como condição para o progresso da sociedade. Essas teorias, aliadas a certo fervor moralizante, fazem com que Von Koren nutra verdadeira ojeriza por Laiévski, um sujeito “depravado”, pouco afeito ao trabalho e amante de uma mulher casada. A literatura russa aborda o duelo como possibilidade, sempre trágica, de resolução de um conflito. E é em um duelo que a antipatia mútua dos dois antagonistas resulta. Apesar de repleto de referências às obras de Puchkin, Lermóntov e Tolstói, Tchékhov rompe com a tradição literária e cria aquele específico efeito de estranhamento (conceito introduzido pela escola formalista russa), contrariando as expectativas do leitor. Além disso, em O duelo se faz presente uma visão de mundo puramente tchekhoviana, tão bem descrita pelo escritor Vladimir Nabokov: “As coisas para Tchékhov eram engraçadas e tristes ao mesmo tempo, mas não se pode enxergar a tristeza se não se enxergar a comicidade, pois ambas estão ligadas”. Klara Guriánova, pesquisadora e especialista em literatura russa, foi responsável pela tradução, cuja essência se manteve intacta por ter sido feita a partir do idioma russo original. As ilustrações ficaram por conta de Hélio de Almeida. SOBRE O AUTOR Anton Tckékhov nasceu em 29 de janeiro de 1860, no sul da Rússia. Detestava a severa educação recebida na infância, mas admirava o talento artístico do pai. Médico de formação, apesar de toda a fama literária que conheceu durante a vida, ele gostava de repetir: “A medicina é minha legítima esposa, enquanto a literatura é minha amante”. Dentre suas obras, encontram-se A dama do cachorrinho (1899), Tio Vânia (1899), As três irmãs (1900), O jardim das cerejeiras (1904), entre outras. (com assessoria)

Edição EDIÇÃO 16959




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