Com a mudança brusca de temperatura os bares se esvaziaram. As ruas cuiabanas no final de semana ficarão desertas. Todo mundo em casa, aconchegados em cobertores. Magnífico tempo para ler um livro. Beber um tinto seco. E quem sabe, escutar um bom CD. Pois é, recebi recentemente o volume 09 da Série Música Brasileira. Uma gravação intitulada Obras para Instrumento de Sopro, do compositor luso-brasileiro José Guerra Vicente. Enquanto escrevo estas linhas ouço suas idéias sonoras plenas de inventividade. O CD abre com uma sonata para clarinete e piano. Apesar de ter sido composta em 1962 não é uma obra intelectualmente de difícil apreciação. Traz melodias temáticas joviais e elementos nativos bem empregados. A seguir temos o Improviso para flauta solo. Composto uma década depois, tem um caráter enigmático indisfarçável. Tenho certeza que todo flautista desfrutaria muito em tocar esta peça. O próprio autor escreveu no frontispício do original: o pássaro como todos os seres, nasce, vive e morre.... Assim que poderíamos perceber nesta peça um aspecto cíclico vital muito interessante. Na seqüência ouve-se o Divertimento para oboé e violoncelo. Obra de 1975 apresenta toques de brasilidades rítmicas. O violoncelista Antonio Guerra Vicente estreou esta peça de seu pai na Universidade de Brasília. O que é o Jornalismo Cultural, não? Acabo de receber em minha caixa de correio uma notícia deliciosa. Sobre isso, convém aqui trazer uma nota adorável, verdadeiro furo do DC Ilustrado: o Quarteto de Cordas de Brasília cujo cellista é o próprio Guerra Vicente , sairá em turnê brasileira pelo Projeto Sonora Brasil do SESC. Segundo correio eletrônico recebido a poucos momentos, eles estarão em Cuiabá no dia 24 de julho às 19 horas no Sesc Arsenal. Assim mataremos as saudades da Profa. Ludmila Vinecka, Cláudio Cohen (violinos) e Glesse Colet (viola). Todos interpretando quartetos de Guerra Peixe e Cláudio Santoro. A continuação e voltando ao CD. Outro Improviso. Desta feita para flauta e violão. Trata-se de uma pequena suíte em três partes. A obra foi encomendada em Paris pelo respeitado flautista Celso Wotzenlogel no ano de 1966. Vale a pena transcrever a idéia do próprio compositor sobre esta obra: Sua construção obedece ao meu estilo de sempre: brasilidade, contrastes rítmicos e melódicos, harmonia flutuante (tom indefinido) em diálogos constantes. Precisa de melhor convite para ouvir o CD? Para encerrar, o Concerto para Trompete e Orquestra. Aqui uma redução para o instrumento solo e piano. No estilo clássico tradicional A-B-A. Isto é, allegro, lento, allegro. Sem dúvida obra inspirada para trompetistas profissionais, dada a arte contrapontística empregada no diálogo entre o conjunto orquestral e o solista. Pronto, terminamos o duplo convite: ouçam o CD e não nos esqueçamos do concerto camerístico de sábado que vem. SERVIÇO: O QUE: CD Obras para Instrumentos de Sopro ONDE: http://www.estudioglb.com.br/index.html OBSERVAÇÃO: O Quarteto de Brasília fará recital em Cuiabá em 24 de julho, no SESC Arsenal *Ney Arruda é professor universitário, doutorando pela Universidad de Burgos (Espanha), violinista cuiabano e colabora com o DC Ilustrado (
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