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ILUSTRADO
Quarta-feira, 14 de Março de 2007, 21h:08

FORA DO EIXO

Bandas de MT em São Paulo

Evento em SP reúne bandas da cena independente de vários estados brasileiros. Músicos mato-grossenses estão participando do festival

Desde a segunda-feira (12/03) está acontecendo em São Paulo o Festival Fora do Eixo, idealizado e organizado pelo Espaço Cubo, de Cuiabá, instituição responsável por eventos como o Calango, uma iniciativa já praticamente cristalizada no calendário cultural mato-grossense. As noites paulistanas estão sendo agitadas pela presença de pelo menos dezenove bandas, originárias de oito estados diferentes e o próprio modelo do festival não tem nada de tradicional. Ao todo, são 19 bandas de todo o país que se apresentam em sete das casas mais importantes da capital paulista. Comum a esses artistas e bandas, o fato de não pertencerem ao eixo Rio-São Paulo, com suas grandes empresas de comunicação e entretenimento. Além disso, o fato de superarem essa dificuldade criando música relevante e se organizando em rede. A rede em questão é o Circuito Fora do Eixo, movimento nacional que integra produtores independentes, jornalistas e bandas indies de todo o país. Trata-se de uma grande rede de trabalho em que experiências e práticas são compartilhadas. O evento, mais uma vez, comprova a capacidade de intercâmbio entre produtores do Brasil inteiro e a iniciativa resulta numa bela amostragem da força e da relevância da produção dos estados fora do eixo, que são mostradas na capital paulista. Destaques em 2006, bandas como as mato-grossenses Vanguart e Macaco Bong, a goiana Valentina, a amazonense Mezatrio e a sergipana Rockassetes estão na escalação do Festival Fora do Eixo. Mas também haverá bandas de estados do Sudeste. Afinal, a questão não é geográfica. O que importa é o método e a organização da produção independente em redes de trabalho. Além dos shows em várias casas, e com o objetivo de integrar agentes da cadeia produtiva da música indie, no próximo sábado, acontece o Ciclo Fora do Eixo de Seminários. De Mato Grosso participam as bandas Revoltz, Macaco Bong, Fuzzly e Vanguart, sendo que esta última acaba de se estabelecer em São Paulo, face a projeção nacional que vem conquistando e conseqüente abertura de mercado. Supernovas A banda VANGUART está com a participação confirmada já em outro projeto na capital paulista, que acontece no Centro Cultural Banco do Brasil, o projeto Supernovas. A curadoria do projeto é do Alex Antunes e a apresentação ficará por conta do Mojica (Zé do Caixão). As bandas participantes são da cena atual (Montage, Supercordas, Los Porongas, Ronei Jorge, Vanguart...) de diversos estados (Acre, Mato Grosso, Ceará, RJ) e se apresentarão com a participação de artistas com a carreira já consolidada como Fernanda Takai, Pepeu Gomes, Igor Cavalera, e João Ricardo, entre outros. O projeto terá a duração de um mês, com a participação de uma banda mais convidado por terça-feira, sendo dois shows por dia. Os organizadores do evento acreditam que hoje não se pode falar em rock e pop nacionais sem falar das cenas de Goiânia e Belém do Pará, ou ignorar a sempre intrigante Fortaleza, ou se surpreender em saber que as maiores promessas atuais vêm de Rio Branco (Acre) e Cuiabá (Mato Grosso). O projeto terá como palco o Centro Cultural Banco do Brasil em São Paulo, que vai receber, entre 10 de Abril e 15 de Maio, uma pequena mostra desse novo rock brasileiro. A série apresenta, a cada terça-feira, uma banda diferente, selecionada pelo jornalista Alex Antunes, idealizador e curador do projeto. Cada uma delas recebe um artista convidado, todos de algum grupo notável dessa trajetória do rock nacional: Novos Baianos, Secos & Molhados, Legião Urbana, Sepultura, Pato Fu, Fellini. A apresentação será do cineasta José Mojica Marins (Zé do Caixão), que voltou a filmar um longa este ano. Sempre querido por músicos de todas as idades, Zé faz o papel de "padrinho" da nova geração na série Supernovas, e será homenageado por ela na forma de composições inéditas. A participação da cena indie mato-grossense é destacada no Supernovas, que classifica a Vanguart como uma grande revelação de 2006. O folk-rock da banda Vanguart vem percorrendo o país, em clubes e grandes festivais. E a repercussão é sempre muito positiva, tanto para a banda em geral quanto, em particular, para a voz, violão e gaita do jovem Hélio Flanders. Esse fã de Beatles, Dylan, Nick Drake e Neil Young recebe outro grande nome do folk nacional: João Ricardo, o mentor do Secos & Molhados. (com assessoria)

Edição EDIÇÃO 16959




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