ESPORTES
Quinta-feira, 27 de Maio de 2010, 21h:41
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Seleções fazem pedidos esdrúxulos para a Copa
ALMIR LEITE
Da Agência Estado Johannesburgo, África do Sul
Ao exigir que os vasos sanitários das dependências da concentração da Argentina fossem trocados, Diego Maradona com quase toda certeza já garantiu de maneira antecipada o título de campeão dos pedidos esdrúxulos da Copa do Mundo da África do Sul. No entanto, quando se trata de local de concentração, várias delegações fizeram solicitações. Algumas inusitadas, outras consideradas pertinentes. A maioria, basicamente, visa ao bem-estar de jogadores e membros da comissão técnica e revela respeito a costumes e também traços da personalidade de alguns comandantes. Via de regra os treinadores foram os responsáveis pelos pedidos. Maradona quis novos sanitários por achar que os argentinos merecem usar "modelos mais modernos" que os então instalados nos aposentos da Universidade de Pretória. Também pediu para si um bidê com duas bancas. O responsável pela universidade, Colin Stier, não confirma, mas teria determinado a troca apenas na suíte do treinador. A Argentina chega neste sábado e já tem muita gente curiosa para saber se os jogadores não vão chiar ao perceberem que o Don Diego tem um "trono" melhor e, dizem, mais confortável. O carrancudo Dunga também fez exigências aos administrações do Hotel Fairway, em Johannesburgo, que hospeda a seleção brasileira. Mas, ao contrário de Maradona, preocupou-se com detalhes mais práticos. Mandou colocar um tela de proteção na divisão do hotel com o clube de golfe anexo, para que sócios do local e os tipos de abelhudos, como jornalistas e torcedores, não ficassem espiando os jogadores. Também fez um pedido que intrigou a gerente de marketing, Ariska van der Westhuizen. "Ele quer que a piscina seja coberta", disse à Agência Estado na semana passada com expressão de quem não entendera o motivo da solicitação. Entre as explicações estão o fato de que o inverno em Johannesburgo é violento e que a piscina basicamente vai ser usada para trabalho de recuperação de jogadores. Por isso, a temperatura da água, exigiu Dunga, terá de ser de 32ºC. Uma piscina também quase fez entrar água no acordo entre o Uruguai e o hotel escolhido para concentração. Eles não gostaram do que viram e exigiram a construção de uma nova piscina. Ou iriam para outro lugar. Foram atendidos. A mesma rede de hotéis vai receber a Coreia do Norte, adversária do Brasil, em outra unidade. E seus gerentes devem ter ficado surpresos ao saber que os fechados asiáticos sequer faziam questão de exclusividade. Quiseram apenas um andar só para eles. No fim, acabaram por fazer uma exigência: arroz coreano (não se sabe se do norte ou do sul) em todas as refeições. EXIGÊNCIA À MESA - A alimentação motivou mais pedidos específicos, pois os jogadores das seleções não querem deixar de lado hábitos e tradições. Os italianos, por exemplo, vão trazer sua própria massa. Os eslovacos desembarcarão com sua própria farinha, pois só com ela é possível fazer um bolinho típico. A Argentina já avisou que, em hipótese alguma, pode faltar sorvete E o Brasil. "Só falaram que o café tem de ser bem quente", disse a gerente Ariska. O lazer dos jogadores também foi responsável por algumas exigências. Os italianos, por exemplo, terão vários canais de TV do país. O pessoal de Gana também foi logo avisando que, se o hotel não pudesse receber o sinal de algum canal de TV, iria procurar outro lugar. A Nova Zelândia optou por ficar em um clube de golfe porque vários de seus jogadores querem ter aulas do esporte. Os eslovacos, aqueles da farinha, pediram a colocação no hotel de duas mesas de pingue-pongue e de um alvo de dardos. Mas foi o México que resolveu fazer os jogadores pagarem logo os pecados que eventualmente possam cometer. Decidiu trazer um padre na delegação. Assim, se alguém exagerar e ficar de consciência pesada, o sacerdote vai estar lá, de prontidão.