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Terça-feira, 23 de Junho de 2009, 20h:53

COPA DAS CONFEDERAÇÕES

Ramires ganha espaço e destaque

Vendido para o Benfica, o ex-volante do Cruzeiro diz que sua vida sempre foi uma correria e que espera fazer sucesso na Europa

SÍLVIO BARSETTI E LUIZ ANTÔNIO PRÓSPERI
Da Agência Estado - Johannesburgo, África do Sul
Apenas cinco jogos pela seleção brasileira, sendo três deles entrando durante os 90 minutos e dois como titular absoluto, deram a Ramires uma notoriedade que ele jamais imaginou conseguir tão rapidamente. Ainda desconhecido fora do Brasil, o jogador desperta a curiosidade da imprensa internacional na Copa das Confederações. Ontem, Ramires se viu no centro do furacão da seleção. Percebeu que seu nome gira o mundo. Por volta das 12h40 (horário sul-africano), ele entrou encabulado na sala de entrevistas do Sunnuside Park Hotel, em Johannesburgo, onde o time de Dunga está concentrado. E olhou desconfiado para aquela porção de jornalistas, câmeras e fotógrafos que o esperavam. O zagueiro Lúcio foi o primeiro a ser entrevistado pelos repórteres. Depois de 10 minutos de perguntas e respostas, ele se levantou, olhou para Ramires e disse "boa sorte, amigo". Ramires imaginou que vinha chumbo grosso. Que nada. Perguntaram por que ele corre muito nos jogos. "Sempre corri muito, desde novinho. Jogando bola, mas às vezes tinha que correr por outras coisas. Quando a gente é moleque travesso, a gente faz umas artes e tem que correr. Corria da minha avó, de cachorro. Isso faz parte", contou o jogador. Mas por que correr da avó? "Uai, para não apanhar. Quem gosta de apanhar?" De acordo com as estatísticas da Fifa, Ramires foi o jogador da seleção que mais correu nos últimos dois jogos do Brasil. Contra os Estados Unidos, percorreu 11.044 metros em campo. E na partida diante da Itália, mais 11.855 metros. "Desde novinho eu corro muito, sempre fiz as coisas correndo. No futebol não é diferente", explicou ele. Correu tanto que, aos 22 anos, virou titular da seleção brasileira, provocando cobiça no mercado europeu. Quem perdeu nessa história foi o Cruzeiro, que vendeu Ramires ao Benfica pela bagatela de 7,5 milhões de euros em maio, no mesmo dia em que o jogador foi convocado por Dunga para a Copa das Confederações. "Não sei se os dirigentes do Cruzeiro estão arrependidos. O importante é que vou jogar no Benfica, que vai abrir as portas da Europa para mim", disse Ramires, que imediatamente foi cercado por jornalistas da Itália, Espanha e de Portugal. Eles queriam saber se o meia tinha preferência pelo Milan, Real Madrid ou qualquer outro grande europeu. "Não sei de nada do Milan, Real Madrid ou de outro clube. Sei que o Benfica também é um grande clube." Antes de apresentar-se ao Benfica, Ramires vai disputar a segunda partida da semifinal da Libertadores, no dia 2 de julho, quando o Cruzeiro enfrenta o Grêmio no Estádio Olímpico, em Porto Alegre. Hoje inclusive, ele nem sabe como vai acompanhar o primeiro jogo do confronto entre os clubes brasileiros, em função do fuso horário entre a África do Sul e o Brasil - são 5 horas a mais. "Não deu para acompanhar o jogo entre Cruzeiro e São Paulo porque foi muito tarde (já madrugada na África do Sul) e eu ficaria muito nervoso, poderia acontece alguma coisa comigo. Aí pedi para minha esposa mandar uma mensagem, mas ela também não mandou. Só fiquei sabendo pelos companheiros durante a manhã", contou Ramires, ao lembrar da vitória do time mineiro na última quinta-feira, em pleno Morumbi, pelas quartas de final da Libertadores.

Edição EDIÇÃO 16959




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