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Quinta-feira, 17 de Junho de 2010, 20h:56

AUTOAJUDA

Maradona usa espírito revolucionário

Para incentivar seus jogadores, o técnico argentino fala de Che Guevara e indica livros do filósofo espanhol Fernando Savater

JAMIL CHADE
Da Agência Estado - Johannesburgo, África do Sul
Em campo, talento e entrosamento no ataque. Fora, um ideário de combate contra a submissão. Diego Maradona trouxe para dentro da concentração da Argentina livros de autores como o uruguaio Eduardo Galeano para inspirar seus jogadores e, em várias ocasiões, usa frases e exemplos da vida do revolucionário Ernesto Che Guevara para criar um espírito de luta no grupo. Antes de fazer suas malas, Maradona pediu para que a comissão técnica da Argentina preparasse uma pequena biblioteca para a Copa do Mundo para distribuir livros aos jogadores na concentração. Nela, incluiu obras sobre Che, todas as obras de Galeano, livros do filósofo espanhol Fernando Savater e do também uruguaio Pablo Vierci, além da biografia de Atahualpa Yupanqui, compositor que já foi gravado por Mercedes Sosa, falecida em outubro do ano passado, entre outros grandes intérpretes. O escritor uruguaio, que tem entre suas obras uma sobre futebol e denunciou a exploração na América Latina, elogiou os jogadores argentinos. "O melhor livro de futebol é o que os jogadores escrevem com os pés", disse Galeano ao Estado desde Montevidéu, no Uruguai. Ele alega que não nasceu com o pé certo para a bola. "Não tive mais remédio a não ser escrever sobre futebol", disse. "Não sei se meu consolo íntimo poderá servir de algo para os jogadores de verdade. Só peço que leiam como uma homenagem aos que jogando sentem alegria e as oferece", completou o escritor, que já havia elegido Messi como o melhor do mundo. "Ele joga como um molequinho", analisou o escritor. Antes de deixar a Argentina em direção à África do Sul, o polêmico técnico argentino já havia declarado que a seleção iria com "Maradona, Messi e Che Guevara, que também é argentino" para a Copa do Mundo. Na concentração, escolheu uma série de frases do revolucionário nascido na Argentina e assassinado na Bolívia para motivar o grupo de atletas. Ontem, no estádio Soccer City, pelo menos bandeiras traziam as imagens juntas de Maradona e Che Guevara. Por mais que a Fifa tente deixar a política de fora do futebol, no mundo de Maradona isso é praticamente impossível. Nesta semana, em plena preparação para os jogos do Mundial, Maradona e Messi fizeram uma pausa nos treinos para receber representantes das Abuelas de La Plaza de Mayo, grupo que por anos protestou contra a ditadura na Argentina e impulsionou as investigações levadas a cabo em Buenos Aires contra os responsáveis pela morte de milhares de jovens durante os anos de 1970 e 1980 pelo regime militar que comandou o país. Em uma das salas da concentração argentina, um cartaz promete o apoio da seleção à campanha das Abuelas de La Plaza de Mayo para o prêmio Nobel da Paz deste ano RETRATAÇÃO - Diego Maradona pediu desculpas, ontem, pelos comentários irônicos que fez um dia antes sobre Platini, mas não fez o mesmo com Pelé, sobre quem também havia adotado um tom depreciativo. Platini, presidente da Uefa, e Pelé, considerado o melhor jogador da história do futebol mundial, haviam colocado em dúvida a capacidade do astro como técnico da Argentina. "Recebi uma carta de Platini na qual esclarece não ter dito o que vocês, jornalistas, dizem que disse", destacou Maradona após o triunfo da sua equipe por 4 a 1 sobre a Coreia do Sul, pela segunda rodada do Grupo B da Copa do Mundo. "Por isso quero externar minhas desculpas a Platini, mas não a Pelé", completou, na parte final da sua entrevista coletiva após o jogo Maradona, na quarta-feira, irritado com as palavras que foram atribuídas ao brasileiro ao francês, havia dito: "Pelé que volte ao museu, e Platini não me surpreende, porque sempre tive uma relação muito distante com ele, de olá, tchau e nada mais".

Edição EDIÇÃO 16959




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