ESPORTES
Sexta-feira, 02 de Julho de 2010, 20h:05
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Felipe pede desculpas pela eliminação
ROBSON MORELLI
Da Agência Estado - Port Elizabeth, África do Sul
Felipe Melo prometeu aos três filhos que levaria o título da Copa do Mundo para casa. Não vai levar. Garantiu ao pai, um crítico severo a quem ouve desde que pisou na África do Sul, que iria maneirar nas faltas e que se policiaria com as expulsões que o perseguiram na temporada na Itália. Também ficou devendo. Por fim, convenceu Dunga que devia atuar e que a posição era sua, como foi do técnico um dia numa Copa do Mundo. Sabe-se agora que não estava preparado para isso. A verdade é que era melhor Felipe Melo não ter feito nenhuma dessas promessas. O jogador chorou ao entrar no vestiário, expulso aos 28 minutos do segundo tempo, e relembrar todas essas cenas antes de chegar a Port Elizabeth. Nem o mais duro jogador de Dunga foi capaz de suportar tamanha decepção consigo mesmo. Era para sair de campo festejado após o passe certeiro dado a Robinho na jogada do gol. Deixou o estádio como vilão e talvez condenado por um país de mais de 190 milhões de pessoas, grande parte diante de uma tevê ontem para ver Brasil e Holanda. Nos 45 minutos finais a maré virou contra Felipe Melo. Ele foi decisivo (negativamente) em dois momentos cruciais da partida. O primeiro ocorreu aos 8 minutos, quando fez gol contra ao tirar a bola, de cabeça, das mãos do goleiro Julio Cesar. "Acontece. Foi uma jogada normal. Não tenho muitas coisas para dizer, a não ser pedir desculpa para o torcedor porque fracassamos". Ronaldo Fenômeno, em seu Twitter, aconselhou o volante a não passar as férias no Brasil. E escreveu que o Julio Cesar sempre grita quando sai do gol. No bom português, culpou o jogador pelo fracasso. Era esse o sentimento do brasileiro. Quanta lambança de um jogador só! Mas não parou por aí. O outro momento crucial de Felipe Melo na partida foi ter provocado sua expulsão aos 28 minutos, logo após o segundo gol da Holanda e quando o Brasil mais precisava de todas as suas forças. Ele fez falta em Robben e depois pisou em sua perna, por querer, como mostraram as imagens. O fato é que Dunga sempre foi alertado que o jogador poderia aprontar dessas, tamanha a falta de equilíbrio que mostrou em sua temporada na Juventus. Era muito mais que caçapa contada. O jogador, no entanto, recusou-se a assumir a pecha de vilão do Brasil na Copa do Mundo. Rechaçou qualquer semelhança com a era Dunga, de 1990, quando o Brasil caiu nas oitavas diante dos argentinos e o volante foi apontado como responsável, injustamente, diga-se. "Não sou vilão. Tenho a minha parcela de culpa como têm todos os outros jogadores. Fiz uma falta normal e depois apenas tentei pegar a bola. A falta que o Pepe (de Portugal) fez em mim foi mais perigosa e ele só recebeu cartão amarelo". Felipe Melo não se deixou empurrar para o fundo do poço, se é que já não estivesse nele. Assumiu ter errado, mas em nenhum momento se curvou aos erros e deixou que sua atuação o colocasse mais para baixo. Soberbo até o fim, diriam os mais críticos. Se tiver de condená-lo, a história o fará naturalmente. Ele sabe disso. Também não pediu desculpas aos companheiros. Falou grosso e com todas as letras que não havia feito nada que pudesse justificar isso. Sua tristeza era com a derrota e eliminação. Ressaltou até as qualidades de Robben, aquele em quem pisou, e foi categórico ao afirmar que em momento algum entrou para quebrar a perna do jogador. Nada comentou sobre o pisão desleal. Disse apenas não ter visto a jogada pela televisão, mas se chegar a essa conclusão, não terá problema em assumir isso. Mas talvez seja tarde e não tenha mais a oportunidade de dizer isso ao torcedor "Sem dúvida nenhuma digo que não sou o vilão da Copa de 2010. Foi a minha primeira derrota na seleção, muito dolorida, é verdade, mas a primeira. E por falhas coletivas, como o gol de cabeça do pequenino Sneijder", disse.