ESPORTES
Terça-feira, 22 de Junho de 2010, 20h:59
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PORTUGAL
Carlos Queiroz ainda estuda time ideal
O técnico português estuda como vai montar sua equipe para confronto da próxima sexta-feira contra a seleção brasileira, em Durban
ALMIR LEITE
Da Agência Estado Magaliesburgo, África do Sul
O técnico Carlos Queiroz ficou satisfeito com o rendimento da seleção de Portugal nos 7 a 0 sobre a Coreia do Norte, mas estuda fazer mudanças na equipe para o jogo com o Brasil, sexta-feira, em Durban, pela última rodada do Grupo G da Copa do Mundo da África do Sul. A intenção do treinador é adotar um esquema mais precavido para enfrentar o adversário que considera um dos mais fortes deste mundial. Queiroz revelou seus planos ontem, em rápida conversa com jornalistas após o treino na Bekker High School. "Preciso pensar bem o que teremos de fazer frente ao Brasil", disse. "Estamos discutindo o aperfeiçoamento para a próxima fase e os jogadores que temos disponíveis para o restante da competição", acrescentou. Para o moçambicano que dirige o elenco português, não são apenas três pontos que estarão em disputa na partida disputada em Durban. Com Portugal virtualmente classificado às oitavas de final, os jogadores vão brigar agora pelo primeiro lugar no Grupo G e para, a menos que o objetivo não seja alcançado, que os jogadores se sintam ainda mais fortalecidos psicologicamente "É uma partida importante para que nos dê mais inspiração, confiança, ambição e, sobretudo, inteligência". O treinador não deu muitas pistas das mudanças que pretende fazer. Mas é praticamente certo que o meia Deco continuará fora da equipe. Além do brasileiro ainda sentir dores musculares na perna direita (foi na segunda-feira a uma clínica em Johannesburgo fazer uma ressonância magnética para que seja possível avaliar o grau da lesão), seu substituto, Tiago, foi um dos melhores jogadores de Portugal contra os norte-coreanos. Como pensa em montar um time mais cauteloso, o mais provável é que retire um atacante e reforce o meio de campo. Simão deve sair para dar lugar a Duda, que além de ser lateral-esquerdo joga como volante. Pepe também tem chances, mas contra si há o fato de que dificilmente suportará jogar 90 minutos. AMBIENTE FESTIVO - O local escolhido por Portugal para se concentrar e treinar é uma cidadezinha no meio do nada. Magaliesburgo, a 70 quilômetros de Johannesburgo, é local de veraneio, de passar o fim de semana cavalgando, escalando suas montanhas ou visitando as fazendas da região. Na segunda-feira pela manhã, porém, o movimento na cidade foi maior. Ocorreu uma "mini invasão" de algumas centenas de portugueses. Há uma explicação. Portugal de vez em quando abre o treino para os torcedores e na segunda-feira foi uma dessas ocasiões. "É importante fazer isso. Eles estão com a gente até debaixo d'água e, quando temos oportunidade, é justo que estejamos junto deles. Eles merecem", disse o lateral-esquerdo Duda. O contato é direto. Na segunda-feira, ao fim do treino - apenas os reservas trabalharam -, ocorreu uma cena impensável em determinadas seleções: os jogadores e o técnico Carlos Queiroz foram até os torcedores. Deram autógrafos, beijos, abraços e conversaram com eles. A contrapartida é positiva. Os torcedores que foram na segunda-feira à Bekker High School, uma escola agrícola na zona rural de Magaliesbiurgo, viram apenas os reservas em campo. Não se importaram. Animados, aplaudiram os jogadores durante todo o tempo e gritaram palavras de apoio. "Claro que gostaríamos de ver o Cristiano Ronaldo, por exemplo. Mas sabemos que depois do jogo ele e os outros precisam descansar. E todos os jogadores são portugueses. Todos merecem nosso apoio, nosso carinho", disse Luiza de Almeida, moradora do Porto, que ela está na África do Sul com um grupo de amigos. Ontem, a adepta portuguesa iriam fazer um safári. Mudaram os planos quando souberam que o treino da seleção seria aberto. "Depois vemos os bichos", decidiu. Ela estranha o fato de o Brasil não permitir o acesso da torcida a seus treinos. "Acho que o jogador gosta de sentir o carinho da torcida, ou não?". A colônia portuguesa na África do Sul é significativa - estimada em 500 mil pessoas. Na Segunda-feira, algumas delas foram a Magaliesburgo. Famílias inteiras, como o casal Manuel e Graça Tavares e os filhos Kátia e Pedro. "Deixei meus negócios organizados e nas mãos de colaboradores para poder vir até aqui", disse Manuel, proprietário de uma fábrica que trabalha com ferro para construção. O português que vive em solo sul-africano confia na seleção de seu país natal, mas pede um empate no jogo de sexta-feira, mesmo com o risco de depois ter de enfrentar a Espanha. "O Brasil tem um time superior, um empate será espetacular. E com a Espanha nos resolvemos melhor do que com o Brasil", finalizou.