ESPORTES
Sexta-feira, 09 de Julho de 2010, 22h:11
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Brasil também vai enfrentar questionamentos sobre gastos
Ao justificar os gastos públicos que o governo federal pretende fazer para garantir a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou na polêmica levantada pela imprensa sul-africana sobre as despesas com a construção de estádios e obras de infraestrutura nas principais cidades da África do Sul. Jornais e emissoras de rádio e TV questionam o legado econômico e social do evento e as despesas que extrapolaram as estimativas iniciais Em discurso ao lado do presidente sul-africano, Jacob Zuma, Lula apresentou uma África sem apartheid e sem problemas de segurança, transporte e emprego. "Havia uma desconfiança: será que acabou mesmo o apartheid na África do Sul? Será que vai ter segurança nos estádios?", disse a uma plateia de empresários locais. Lula destacou no discurso que o torneio da Fifa representa um divisor de águas na história da África do Sul. "Se eu não estiver enganado, a história da África do Sul será dividida em antes e depois da Copa", disse. A mesma certeza parece não ter ativistas sociais e especialistas que não veem uma melhoria automática na qualidade de vida da população sul-africana com a realização do evento. Após eleger três presidentes negros - Nelson Mandela, Thabo Mbeki e Jacob Zuma -, a África do Sul ainda está longe de mostrar que a segregação é um fato do passado. No passado, negros eram proibidos formalmente de entrar em determinados lugares. A queda do regime do apartheid não acabou, na prática, com a principal marca dos bares e boates da região de Sandton, em Johannesburgo, metro quadrado mais caro de todo o continente africano. Os brancos costumam ser os únicos frequentadores. Uma latinha de cerveja custa no mínimo US$ 3. Em bairros onde a população negra está concentrada, como o miserável Alexandria, pesquisas do próprio governo apontam que a maioria vive com menos de US$ 1,25 por dia. No discurso, Lula previu, no entanto, que, nos próximos anos, o Brasil enfrentará a mesma polêmica travada agora na África do Sul. "As mesmas perguntas vão ser feitas ao Brasil: será que o Brasil vai construir os estádios? Será que o Brasil vai fazer aeroportos?", disse. "Tem gente que pensa que tudo vai dar errado", se queixou.