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Editoriais
Quinta-feira, 18 de Março de 2010, 22h:02

Troféu no campo

Quem vive na cidade e não freqüenta regularmente áreas sem regularização fundiária da zona rural não é capaz de imaginar as dificuldades enfrentadas pelos posseiros que ocupam milhares de propriedades em todas as regiões de Mato Grosso. Regularização fundiária é a principal reivindicação de quem ocupa posses rurais. Essa aspiração não se prende a eventuais ameaças aos posseiros, porque salvo raras exceções, as posses são mansas e pacíficas, pois no campo ainda impera o respeito ao chamado “documento à base do fio de bigode”. O que a faz sonho coletivo é a segurança jurídica que ela representa. Sem titularidade documental, quando muito o posseiro consegue carta de anuência para pequenas transações creditícias. Essa particularidade o mantém fora das linhas especiais de crédito para custeio, investimento e outras tão indispensáveis ao cultivo da terra quanto a chuva que a irriga e faz fértil. A questão documental da terra não aflige somente os posseiros nem aqueles que foram lesados na aquisição de imóveis rurais e pagaram por áreas com documentação fraudulenta. Ela também inclui parceleiros da reforma agrária, já que praticamente todos os assentamentos do Incra em Mato Grosso ainda não foram emancipados. A angustiante situação agrária dos posseiros em Mato Grosso começa a mudar graças a ações compartilhadas da União com o governo estadual. Ontem, a ação conjunta dos governos resultou num bom passo rumo à regularização fundiária rural. Ontem, o representante do Ministério do Desenvolvimento Agrária (MDA), José Raimundo Sepeda da Silva, e o governador Blairo Maggi assinaram convênio de R$ 3,7 milhões para custeio do georreferenciamento e de despesas correlatas nas glebas Aripuanã e Vale dos Santos, em Aripuanã, e na gleba Guariba, em Colniza, que contemplarão 2.300 posseiros. O convênio do MDA com o governo de Mato Grosso soluciona o problema agrário de aproximadamente 9.500 cidadãos de idades distintas e que vivem nos municípios de Aripuanã e Colniza, na região noroeste, divisa com Amazonas e Rondônia. Essa solução abre porta à cidadania plena que permitirá ao contemplado se inserir entre os mutuários do sistema financeiro agrícola e lhe concederá garantias jurídicas plenas. A construção de um estado começa com a conquista da cidadania na cidade e no campo. Cidadania é o que será concedido pelo convênio que acaba de ser firmado. Mato Grosso precisa avançar mais nessa área, em defesa de seus cidadãos mais humildes e coincidentemente ou não, que integram o rol dos mais trabalhadores e anônimos. No emaranhado da dinâmica do noticiário na moderna Comunicação o convênio que contempla posseiros em Aripuanã e Colniza passa quase despercebido. Porém, nas propriedades que serão georreferenciadas ele será recebido como troféu há longo tempo esperado. A angustiante situação agrária dos posseiros em Mato Grosso começa a mudar

Edição EDIÇÃO 16959




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