Editoriais
Sábado, 22 de Maio de 2010, 14h:43
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Trânsito humanizado
Gritos, desespero, correria, crianças chorando caídas na calçada na Avenida Miguel Sutil defronte a entrada principal do Parque Mãe Bonifácia. Essa foi a cena chocante vista por quem se encontrava naquele local na manhã ensolarada de ontem. A terrível cena foi provocada por um automóvel de luxo, prateado, dirigido por um jovem acompanhado por uma moça, que não respeitou a faixa de pedestres, avançou sobre a mesma em alta velocidade e, por pouco, não causa uma grande tragédia atropelando um grupo de crianças que cruzava a avenida em direção ao parque. O que se viu ontem não foi fato isolado no violento trânsito de Cuiabá, onde as estatísticas mostram o alto índice de acidentes e a grande quantidade de vítimas das loucuras sobre rodas. Esse cenário exige mudança e ela somente acontecerá se houver mobilização social pela humanização do trânsito em Cuiabá. Sabemos que a cidade receberá grandes investimentos de infraestrutura para melhoria de seu sistema viário. Também sabemos que tais obras são imprescindíveis e que serão executadas em tempo relativamente curto pelo governo de Mato Grosso para atender à demanda de modernização exigida pela Fifa para a realização de jogos da Copa do Mundo de 2014 nesta quase tricentenária cidade de Moreira Cabral. Porém, se o motorista não se conscientizar que é preciso dirigir com prudência respeitando os demais usuários das ruas e calçadas, o cenário de verdadeira guerra ora reinante continuará. Nesse contexto cabe ao Diário conclamar todas as instituições públicas, privadas e beneficentes para uma grande cruzada permanente em busca da humanização do trânsito. Esse assunto tem que ser pauta jornalística corriqueira, tem que predominar nas conversas entre grupos de amigos, nas igrejas, templos dos cultos afros, mesquita, sindicatos, clubes de serviço, repartições públicas, escolas e faculdades, órgãos públicos e enfim, em todos os segmentos da comunidade cuiabana. Ao invés da punição pecuniária com a multa, que é única relação do Estado em todas as suas esferas com o motorista infrator - mas sem prejuízo desta é imprescindível que Cuiabá se una pela humanização do trânsito, para que nos vejamos livres de tanto sangue, tanto luto e tanta dor causados pela direção animalesca nesta cidade literalmente tomada por 200 mil veículos nela licenciados e outros milhares da população flutuante que a procura pelos motivos mais diversos. Chega de imprudência, de alta velocidade, de embriaguês ao volante, do desrespeito aos semáforos e outros meios de sinalização, de ocupação indevida de vagas reservadas a deficientes físicos e idosos. É tempo de se construir uma relação respeitosa e duradoura entre motoristas e pedestres e vice-versa. É tempo de abraçar essa causa proposta pelo Diário. É tempo de se construir em uma relação respeitosa e duradoura entre motoristas e pedestres