Editoriais
Quinta-feira, 30 de Julho de 2015, 19h:38
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Relação depurada
Começam a ser medidos, também pelos indicadores econômicos, os danos da corrupção e das investigações decorrentes da identificação de seus protagonistas, em especial as grandes empreiteiras. Sabe-se, por informações do próprio governo, que a participação dos efeitos da Operação Lava Jato na economia pode chegar a um ponto percentual negativo no PIB deste ano, o que não é pouco em nenhuma economia. É o custo a ser pago pelas tentativas bem-sucedidas até aqui da polícia, do Ministério Público e da Justiça, no sentido de depurar as relações do governo com prestadoras de serviços e dessas com políticos dos mais variados partidos. Conforme o ministro Nelson Barbosa, do Planejamento, a cadeia de gás e petróleo, somada à da construção, que representa 15% do PIB, está praticamente paralisada pelas investigações, que agora se estendem também ao setor elétrico com a ação da última terça-feira na Eletronuclear. São dados agravantes em um cenário de recessão, que pode fazer com que a economia brasileira recue até 2,5% em 2015. O Brasil colhe os piores resultados dos equívocos da política econômica e da promiscuidade entre setor público, área privada e política. Não é ignorado também o estrago econômico e social das chamadas notícias ruins, o que, no atual contexto, configura uma situação inevitável. Para piorar, esta semana, uma das principais agências de classificação de risco no mundo, a Standard & Poors (S&P) alterou a perspectiva da nota de crédito do Brasil em moeda estrangeira de neutra para negativa. Atualmente, o rating do país é BBB-, o que o coloca no limite de grau de investimento, uma espécie de selo de bom pagador. Com a medida, a agência indica que o Brasil poderá passar, no médio prazo, a ser considerado investimento especulativo, caso a nota seja rebaixada, o que faz com que investidores exijam juros maiores para compensar o risco. No comunicado, a empresa destaca as investigações de corrupção, a dificuldade para implementação de medidas econômicas para o ajuste fiscal e as tensões no Congresso. Mas esse é um preço que a nação precisa pagar para recuperar a seriedade e redefinir sua ética. Para que esse quadro se reverta, o país terá de persistir na apuração dos delitos, não só na Petrobras, e na punição de seus responsáveis, como vem sendo feito pela Lava Jato. Essa será a notícia positiva que a sociedade espera, para que se produzam outras informações e fatos favoráveis à economia e à imagem do Brasil no exterior, igualmente fragilizada nos últimos anos. Conforme o ministro Nelson Barbosa a cadeia de gás e petróleo, somada à da construção, que representa 15% do PIB, está paralisada pelas investigações