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Cuiabá MT, Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

Editoriais
Sexta-feira, 10 de Junho de 2011, 20h:56

Questão internacional

Independentemente do Plano Estratégico de Fronteiras que está a um passo de entrar em vigor como política de combate aos crimes transnacionais, Mato Grosso tem que reforçar a segurança na região fronteiriça com a Bolívia para tentar impedir a travessia de veículos roubados ou furtados no Brasil para aquele país. Isso porque entrou em vigor na quinta-feira uma lei de autoria do presidente Evo Morales, que abre janela de 15 dias para a legalização de todos os veículos que entraram ilegalmente naquele país. Morales fundamenta seu ato pelo ângulo do aumento da receita. O governo de La Paz revela que cerca de 10 mil carros irregulares circulam na Bolívia e que a legalização dessa frota renderia aos cofres públicos um aporte em torno de US$ 5 milhões. Fontes independentes criticam o presidente por seu ato e apresentam números diferentes: sustentam que 100 mil veículos irregulares engrossam a frota boliviana estimada em 1,7 milhão de carros e observam que a legalização deverá render em torno de US$ 120 milhões ao governo Evo Morales. Os carros roubados e furtados que entram na Bolívia cruzam a fronteira no Mato Grosso do Sul, em Mato Grosso e Rondônia e no Acre. Seus motoristas são conhecidos nos meios policiais por “cabriteiros”. Normalmente os automóveis, caminhões, tratores e utilitários viram moeda de troca para pagamento de cocaína aos barões do pó daquele país. Mato Grosso tem 983 km de fronteira com a Bolívia nos municípios de Cáceres, Porto Esperidião, Vila Bela da Santíssima Trindade e Comodoro. Essa extensa faixa tem 730 km de fronteira seca com incontáveis pontos vulneráveis e utilizados por quadrilhas de roubam veículos; esses pontos são chamados de estradas cabriteiras. Em Mato Grosso a fronteira é muito vulnerável. Seus pontos fixos de controle pelo Exército estão instalados nos destacamentos militares de Corixa, Santa Rita, Fortuna, Descalvado e Palmarito. O Grupo Especial de Fronteira (Gefron – força estadual) tem bases em alguns pontos e realiza permanentes operações na rodovia federal 070 (que liga Cáceres a San Matias, na Bolívia) e nas estradas estaduais 265 e 199 que acompanham a linha imaginária que une os dois países. O Plano Estratégico de Fronteiras deve ser antecipado em Mato Grosso e nos outros três estados que fazem fronteira com a Bolívia, porque a conivência do governo daquele país com o crime transnacional no tocante aos veículos furtados e roubados estimulará as quadrilhas especializadas nesses tipos de ações a intensificarem suas investidas. Impedir a passagem de veículos irregulares do Brasil para a Bolívia é bem mais fácil que encontrar drogas carregadas em pequenas quantidades por traficantes chamados por “mulas”. A população espera que as autoridades não percam essa batalha que tem prazo de duração estabelecido entre aspas pelo governo vizinho. De igual modo, espera que o Itamaraty cumpra seu papel diplomático protestando contra o destemperado ato do presidente boliviano. “A população espera que as autoridades não percam essa batalha que tem prazo de duração estabelecido”

Edição EDIÇÃO 16959




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