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Editoriais
Sábado, 03 de Maio de 2008, 15h:12

O poder das quadrilhas

Há três anos, a deflagração da Operação Curupira trouxe um alento para a sociedade mato-grossense, até então, extremamente preocupada com a exposição do Estado, perante o restante do País e o mundo, como um dos maiores símbolos do desmatamento. Uma irregularidade, aliás, que sempre remete, inapelavelmente, à extração e ao transporte ilegal de madeira. Apesar da notória operação da PF, ainda hoje, Mato Grosso é tema de discussão quando se trata de assunto ligado ao Meio Ambiente. Se a questão do desmatamento é polêmica, por colocar em posições antagônicas os organismos diretamente afeitos ao problema, preocupante é o poder que as quadrilhas parecem ter de se multiplicarem, num flagrante desafio às autoridades. Com efeito, por maior que seja a ação policial, assim como o processo de fiscalização do Estado, quadrilhas continuam operando em pontos estratégicos do território mato-grossense. As gangues adotam e impõem leis, num processo em que transformam regiões produtoras numa espécie de terra de ninguém. No começo da semana passada, por exemplo, mais uma ação policial federal foi destaque na mídia: a Operação Termes, que resultou no cumprimento de 60 mandados de prisão de pessoas acusadas de envolvimento em esquema de exploração ilegal de madeira no Estado. Como foi amplamente divulgado, essas pessoas faziam parte de um esquema criminoso que envolvia policiais, madeireiros, advogados e até funcionários públicos estaduais, cuja função, no contexto da quadrilha, era fraudar a classificação da madeira transportada. Pelo esquema, os envolvidos facilitavam no processo de fiscalização das cargas transportadas para outros Estados, de onde eram exportadas. Há uma demonstração clara de que não falta, da parte do Poder Público, esforço para reorganizar a área ambiental do Estado. Difícil é concordar que o trabalho das autoridades policiais tem conseguido conter, definitivamente, as quadrilhas. Não é exagero afirmar que a Operação Curupira, pelos seus resultados extremamente significativos, logrou desbaratar uma das maiores redes de corrupção do setor ambiental da Amazônia. A Operação Arco de Fogo, deflagrada em fevereiro para combater a exploração ilegal de madeira na Amazônia, tem intensificado a fiscalização em pelo menos três eixos no Estado, identificados como bases da exploração ilegal da floresta. Infelizmente, por enquanto, a maioria das operações patrocinadas pelo Governo Federal tem muito mais efeito espetacular; muitas vezes, servindo apenas para colocar Mato Grosso no centro das atenções. Com efeito, apesar de todos os esforços dos órgãos ambientais, ainda há fraudes. E um dos motivos é o lucro fácil, tendo em vista que a madeira é um produto bastante valorizado e, mesmo algumas situações sendo ilegais, ainda há quem arrisque praticá-las. O poder das quadrilhas, de qualquer forma, permanece como o grande desafio. “A maioria das operações do Governo Federal têm mais efeito espetacular”

Edição EDIÇÃO 16959




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