Instituições mato-grossenses aderiram ao Dia Nacional de Lutas com Greves e Mobilizações que foi desencadeado ontem, em vários pontos do Brasil. Em Mato Grosso, a movimentação nas ruas e estradas se espalhou por Cuiabá e vários municípios. O desencadeamento sincronizado das manifestações e protestos em Mato Grosso teve a participação de várias entidades representativas, com destaque para a Central Única dos Trabalhadores (CUT), Associação dos Docentes da Universidade Federal (Adufmat), movimento sem-terra (MST) e o Fórum Sindical. Mais que sair às ruas a multidão criou transtornos generalizados, principalmente nas rodovias federais e estaduais que sofreram bloqueios. O trancamento das estradas atrasou a viagem de milhares de cidadãos, colocou em risco alimentos perecíveis transportados por caminhões e carretas e expôs ao sol crianças e idosos que seguiam em automóveis, utilitários e ônibus. O Brasil realmente precisa e com urgência rever o funcionamento dos três poderes em todas as suas esferas. Para tanto, nada melhor que o povo nas ruas pedindo e sugerindo mudanças. Mas entre mudar e dificultar ainda mais a vida do brasileiro há grande diferença. A pulverização e a reincidência das manifestações criam clima de desestabilização institucional e, tal fato se torna ainda mais palpável quando se vê que alguns protestos são descabidos e que outros escondem interesses eleitoreiros ou até mesmo anárquicos. É preciso lançar mão de todas as garantias constitucionais que nos são asseguradas pelo regime democrático. Porém, de igual modo, não se pode esquecer que a relação do cidadão com o Estado não é calcada apenas em direitos, pois ela também impõe deveres. Bloquear uma rodovia porque o modelo de reforma agrária vigente não agrada a lideranças sem terra não é a melhor decisão. Nesse caso, todo tipo de protesto tem que ficar restrito ao âmbito do Incra, do Congresso Nacional e da Presidência da República. Criticar a escassez de recursos para Saúde e Educação é direito de todos, mas até mesmo em nome da resolutividade dos protestos esses devem ser feitos nos prédios burocráticos do Ministério da Saúde (e Educação) e das secretarias estaduais e municipais de Saúde e da Educação, e também junto ao Congresso e as sedes dos governos estaduais e prefeituras, mas sem que as vozes das ruas prejudiquem o vaivém cotidiano assegurado em lei. A manifestação começou com apoio popular, a ponto de participantes receberem chuva de papel picado jogada das sacadas por moradores dos edifícios nos percursos por eles percorridos em Cuiabá. Esse apoio já não é o mesmo, muito embora o sentimento em defesa da mudança seja comum entre quem protesta ou não. Antes que os gritos das ruas e das rodovias tornem-se impopulares em Mato Grosso é preciso rever conceitos. A prudência recomenda que é preciso dar um basta na manifestação em locais inadequados. Entre mudar e dificultar ainda mais a vida do brasileiro há grande diferença