Editoriais
Quarta-feira, 09 de Fevereiro de 2011, 20h:54
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Frete ferroviário
Principal porta de saída de commodities mato-grossenses para o mercado internacional, o Porto de Santos embarcou no ano passado, 5,1 milhões de toneladas de soja produzida nas lavouras que se espalham por praticamente todos os municípios de Mato Grosso. O volume de soja embarcado em Santos chega ao cais pelos trilhos da Ferrovia Senador Vicente Vuolo, da América Latina Logística (ALL), que opera terminais graneleiros em Alto Taquari (desde 2001) e Alto Araguaia (desde 2002). Depois de longa paralisação da obra da ferrovia - cuja concessão prevê a ligação de São Paulo com Cuiabá, Porto Velho (RO) e Santarém (PA) - a construção foi retomada para ser executada até o final do próximo ano, no trecho de 250 km de Alto Araguaia a Rondonópolis. O projeto do trecho em obra da ferrovia da ALL prevê que na safra 2012/13 o trem apitará em Rondonópolis, o que em termos de carga significará uma oferta para o Porto de Santos, de 7,5 milhões de toneladas de soja, farelo de soja, algodão, milho e outras commodities do agronegócio. Ou seja, nos próximos dois anos a movimentação de cargas alcançará marca superior ao dobro da atual. A ferrovia já escoa commodities para exportação há 10 safras pelo terminal de Alto Taquari e há nove pelo seu similar em Alto Araguaia. Nesse período o transporte feito sobre trilhos aliviou a pressão ambiental causada pelo vaivém das carretas e bitrens, reduziu a movimentação de veículos pesados entre o sul de Mato Grosso e Santos, o que obviamente se traduz em menor número de acidentes rodoviários no citado trecho interestadual. Não se pode negar os aspectos favoráveis da ferrovia nem sua importância para a logística de transporte em Mato Grosso, estado que antes dela se ancorava exclusivamente na matriz rodoviária para efeito de ligação com São Paulo e os demais estados do Sudeste. Porém, o embarque de soja nos comboios da ALL não altera o preço do frete do produto, o que mantém o produtor rural recebendo por essa leguminosa cotação que não leva em conta o componente frete. Ferrovia tem que ser atividade com mão dupla, de modo a assegurar lucro aos seus controladores, ao meio ambiente e ao produtor rural que responde pelo carregamento de seus comboios com as commodities cultivadas em Mato Grosso. A construção do terminal de embarque de grãos da ALL em Itiquira entre Alto Araguaia e Rondonópolis - está de vento em popa. Autoridades e trades comemoram antecipadamente esse avanço da logística de transporte. Porém, Mato Grosso não pode se deixar levar por conquista parcial e tem que exigir a redução do frete ferroviário para que os benefícios diretos da ferrovia cheguem aos produtores rurais. A bancada federal mato-grossense tem o dever de botar o frete ferroviário da ALL na pauta de seus debates. O mesmo procedimento tem que se estender aos deputados estaduais, ao Governo de Mato Grosso e ao conjunto das entidades representativas do setor primário. O embarque de soja nos comboios da ALL não altera o preço do frete do produto