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Editoriais
Sexta-feira, 01 de Novembro de 2013, 19h:13

Efeito e causas

Secretaria de Estado não é altar para culto ao seu titular, nem fogueira para sua imolação. Essa é a verdade, que nem sempre é observada nos meios políticos e na área da Comunicação. No final de outubro, o titular da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Mauri Rodrigues de Lima, pediu demissão do cargo, o pedido foi aceito pelo governador Silval Barbosa, que anunciou o nome do médico Jorge Lafetá para substituí-lo. Essa mudança mexeu com o noticiário político mato-grossense, que abriu enorme espaço sobre a troca. A relevância do cargo de secretário de Estado não permite que mudança aconteça sem notícia a respeito. Mas entre a informação é a maximização do fato há uma distância enorme. Mauri Rodrigues foi mero executor da política de saúde pública do governo de Mato Grosso. Óbvio que o secretário sempre direciona a Pasta segundo sua visão, desde que tal conduta não trombe diretamente com as orientações do Palácio Paiaguás. O ex-secretário soube muito bem conciliar as normas com seu entendimento. A turbulência marcou os 10 meses de Mauri Rodrigues na Saúde. Mesmo administrando uma dos maiores orçamentos do Estado, o secretário enfrentou o dilema da coberta curta, que ao cobrir os pés descobre a cabeça e vice-versa. Nessa situação ele enfrentou críticas e movimentos regionais de prefeitos e de deputados estaduais. No entanto, nem mesmo nos momentos em que se encontrava sob intenso fogaréu Mauri Rodrigues faltou com a lealdade ao governador. Ele conseguiu manter a serenidade mesmo nos momentos mais difíceis. A postura de Mauri Rodrigues na secretaria ganhou o reconhecimento do governador, que fez questão de ressaltá-la em público. Mas, nem mesmo esse fato foi capaz de mantê-lo no cargo, porque o desgaste acumulado ao longo do tempo e as pressões políticas dos que colocam os interesses pessoais acima dos interesses públicos foram muitos. A página de Mauri Rodrigues na secretaria foi virada. O médico Jorge Lafetá foi indicado para substituí-lo. Resta saber por quanto tempo Lafetá resistirá e, se sob críticas que inevitavelmente acontecerão, assumirá responsabilidade ou as jogará sobre os ombros do governador. Enquanto o secretário de Saúde estiver à frente de uma secretaria carente de recursos, incapaz de funcionar de modo satisfatório e que adote a política de terceirização de serviços médicos e hospitalares transferindo-os às organizações sociais de saúde, ele estará passível de cair a qualquer momento, quer seja ou não eficiente, quer seja ou não leal ao governador. Ao invés de criticar secretário as vozes que se levantaram contra Mauri Rodrigues precisam questionar o modelo da gestão da Saúde Pública neste Estado onde o turismo de saúde é a primeira regra para o paciente sobreviver. Turismo de saúde é transportar em ambulâncias o paciente dos municípios menores para o hospital de referência em sua região ou até mesmo para Cuiabá. Ao invés de combater o suposto efeito é preciso enfrentar suas causas. “A turbulência marcou os 10 meses de Mauri Rodrigues na Saúde”

Edição EDIÇÃO 16965




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