Mergulhado nas trevas da ditadura militar que cerceava a liberdade de imprensa, o Brasil não oferecia garantias jurídicas que estimulassem investimentos no setor de Comunicação. Mesmo assim, o radialista e jornalista cuiabano João Alves de Oliveira ousou presentear sua cidade com um Jornal que circularia todos os dias e a homenagearia com seu nome. Assim, em 24 de dezembro de 1968, quando de uma das fases mais agudas dos anos de chumbo, nasceu o DIÁRIO DE CUIABÁ. Além da censura editorial Alves de Oliveira enfrentou alguns outros problemas para criar o DIÁRIO. À época Cuiabá tinha 92 mil habitantes e sequer contava com rodovia pavimentada, o que dificultava a chegada das bobinas com o papel para imprimir o Jornal. Para agravar a operacionalização da gráfica a energia era inconstante e gerada por termelétricas movidas a óleo diesel; sempre que ocorria pico no fornecimento a impressão sofria atraso porque as linotipos que gravavam os caracteres dos textos e títulos dependiam do chumbo derretido, que por sua vez demandava corrente elétrica. A força do idealismo de Alves de Oliveira se juntou ao seu espírito empreendedor ousado e muito à frente de seu tempo. Assim o DIÁRIO nunca deixou de circular e jamais se associou a grupos econômicos ou políticos, mantendo-se enquanto empresa familiar. Quando o Jornal ensaiava seus primeiros passos Alves de Oliveira tombou vítima da violência e da intolerância ao jornalismo independente, isento e sério. Em 4 de janeiro de 1969, o fundador do DIÁRIO foi executado de maneira torpe. O assassino o matou por discordar de uma matéria policial. Alves de Oliveira fechou os olhos para sempre, mas o lema por ele adotado ao criar o Jornal que se transformaria numa importante trincheira em defesa de Cuiabá e Mato Grosso continua inspirando seus sucessores e, o DIÁRIO, como ele sonhou, permanece Fruto de um ideal que jamais sucumbirá. Ao entrar no 43º ano o DIÁRIO o faz amadurecido e carregando a experiência empresarial e jornalística acumulada ao longo de suas décadas de existência, com o atestado conferido em sua capa com a qual alcança hoje 12.896 edições número compartilhado por restrito grupo de grandes jornais brasileiros. A cada edição o DIÁRIO se renova e inova. Investimentos, modernização do parque gráfico e a busca incessante pelo bom conteúdo jornalístico são corriqueiros, independentemente das injunções de mercado. Essa trajetória tem um forte aliado: a equipe de funcionários de todos os setores da empresa que edita o Jornal, que é formada por antigos colaboradores e jovens promessas profissionais, que se completam. A cidade vive dos que vivem nela. Esta frase de Alves de Oliveira inspirou o cantor Pescuma a compor em parceria com Moisés Martins, o clássico Tipos Populares, que a reproduz e define seu criador enquanto grande locutor. Para Cuiabá o DIÁRIO é a transposição jornalística ao seu cotidiano, onde os dois se fundem e se confundem. A força do idealismo de Alves de Oliveira se juntou ao seu espírito empreendedor