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Editoriais
Quinta-feira, 17 de Março de 2011, 20h:33

Diálogo pela vida

Passeata é foro apropriado para expressar descontentamento, extravasar alegria, cobrar definição política, sugerir ou aplaudir. Ontem, uma manifestação pacífica por ruas de Cuiabá questionou o secretário de Saúde de Mato Grosso e deputado federal licenciado pepista Pedro Henry, pelo modelo de Saúde Pública que o governo instalará nos hospitais regionais e no Hospital Metropolitano de Várzea Grande. A manifestação traduziu a maturidade democrática brasileira e, como tal, merece respeito até mesmo por parte daqueles que discordam do teor reivindicatório dos sindicatos, conselhos regionais da área da Saúde, outras entidades e de profissionais do setor. Ao término da passeata seus integrantes foram à Assembleia Legislativa que realizou audiência pública conjunta com a Câmara Municipal de Cuiabá para tratar do assunto, que é rotulado pela mídia por “terceirização da Saúde”. Audiência pública é terreno fértil para o debate, para confronto de ideias. Também é um dos mais eficientes mecanismos democráticos de consulta popular. No entanto, a oportunidade que se apresentava com aquele ato na Assembleia não foi aproveitada pelos participantes da passeata, para questionarem o modelo de gestão sugerido por Pedro Henry, nem utilizada pelos mesmos para sugerirem rumos administrativos à gestão hospitalar mato-grossense. Lamentável! O setor que tem a pior resposta estatal está no epicentro da crise que tende a se radicalizar. O cidadão mato-grossense sabe bem a deficiência hospitalar e das demais áreas de atuação federativa pelo modelo tripartite do Sistema Único de Saúde (SUS) formado pela União, Estado e municípios. Uma área assim nevrálgica só merece um tipo de tratamento: respeito. O usuário do SUS não suporta mais o modelo gerencial da Saúde Pública em Mato Grosso e exige mudança. Na expectativa de modernizar e dinamizar o funcionamento hospitalar Pedro Henry planeja utilizar serviços de organizações sociais ou terceiro setor. Para tanto, seu projeto foi encaminhado pelo governo à Assembléia, que o aprovou. Esse cenário desagradou lideranças da classe médica e de outros profissionais da área. A audiência pública realizada ontem, se bem aproveitada seria a pedra angular para formatar a gestão da Saúde Publica, ora tão capenga. Isso, porque o legislativo cria a lei, mas quem a regulamenta é o governador Silval Barbosa. Mais detalhadamente: em nome da razoabilidade e em respeito ao usuário do SUS Mato Grosso poderia muito bem ter extraído da reunião de Pedro Henry com deputados, vereadores, lideranças e profissionais da medicina o denominador que o radicalismo insiste em desconsiderar. O cenário é angustiante e não se vislumbra luz no fim do túnel. Tomara que a intempestividade com tempero juvenil ceda lugar ao diálogo franco e de alto nível para que a imaginária, porém consistente linha que separa a precariedade da qualidade do atendimento médico seja transposta em respeito à vida. O usuário do SUS não suporta mais o modelo gerencial da Saúde Pública em Mato Grosso

Edição EDIÇÃO 16959




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