Editoriais
Sábado, 17 de Março de 2007, 12h:56
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Colniza
Colniza não pode permanecer sob o incômodo rótulo de município com a maior taxa de homicídios do Brasil, como insistem em tratá-lo alguns setores da imprensa. Essa pecha teve um lado positivo, pois serviu de alerta às autoridades, porém precisa ser apagada o quanto antes em respeito aos habitantes do lugar, que enfrentam as maiores dificuldades possíveis para sobreviver com dignidade numa região isolada na imensidão amazônica. Respeito é o mínimo que se pode pedir no tocante a Colniza, o maior município de Mato Grosso, com 27.948 km² área superior a Israel ou Sergipe. Essa vastidão se espalha pelo noroeste mato-grossense entre Rondônia e Amazonas. O acesso ao lugar é precário e até recentemente a travessia do rio Canamã, na MT-418, era feita por balsa. A energia da cidade é gerada por termelétrica. A comarca é nova, não há Defensoria Pública e a Promotoria se estrutura. Em Colniza as coisas acontecem muito rapidamente e isso causa confusão nas estatísticas; a população levantada pelo IBGE não passa de 14.149 habitantes, o que tromba com os eleitores registrados pelo TRE: 16.761. Como acreditar no relatório da Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI) que aponta uma taxa de homicídios em Colniza de 165,3 por grupo de 100 mil habitantes se números do IBGE serviram de base referencial para elaborar esse documento? Não se pode negar a violência em Colniza, onde o Estado em todas as suas instâncias é o grande ausente. Seria utopia imaginar que o delegado da cidade teria condições de estar presente em todos os cantos do município onde as distâncias são enormes. Ao invés de propaganda negativa sobre homicídios e malária, Colniza precisa de mais Estado. O município está enfarado das barulhentas operações casadas entre policiais e fiscais ambientais, que colocam a população na vala-comum. O momento é de menos discurso e mais ação. Colniza é uma recente colonização e ganhou vida institucional em 1º de janeiro de 2001, quando da instalação de sua prefeitura e Câmara Municipal. A população quer mais saúde, educação, segurança, garantia fundiária e a pavimentação da rodovia BR-174 que liga o Brasil à Venezuela. Enquanto muitos se perdem nas críticas que escondem omissões, a Funai cumpre seu papel em Colniza; no dia 15, o Diário Oficial da União publicou portaria que restringe o direito de ingresso, locomoção e permanência de pessoas estranhas aos quadros da Funai, na Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo, até sua homologação e demarcação. Se cada um fizer o que faz a Funai, em breve Colniza será a cidade sonhada por sua gente. Ao invés de propaganda negativa sobre homicídios e malária, Colniza precisa de mais Estado