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Editoriais
Quinta-feira, 18 de Fevereiro de 2010, 10h:27

Campanha da Fraternidade

Mais oportuno, impossível. O tema da Campanha da Fraternidade ecumênica lançada ontem, “Economia e vida”, e o lema, “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro”, são extremamente oportunos e certamente levarão à reflexão tanto os promotores do evento quanto o público cristão ao qual preferencialmente é direcionado. Em Mato Grosso Economia e Vida foi lançada antecipadamente na terça-feira, quando do evento religioso “Vinde e Vede”. A Igreja Católica juntamente com as denominações religiosas que compõem o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs no Brasil (Conic) defendem a reformulação econômica em nome de novo modelo social que reduza o fosso entre ricos e pobres. Não se trata de pregação socialista, mas de estimular o debate em busca de melhor distribuição de renda e de menos taxação tributária em nome da qualidade de vida e da dignidade humana. O objetivo da Campanha da Fraternidade é o mesmo do povo, que clama por reforma tributária, pelo fim do entulho estatal nas relações de patrões e empregados. Quanto a isso padres e pastores terão ao seu lado a voz das ruas. É inconcebível a voracidade do Estado - em todas as suas esferas – por impostos, taxas, alvarás, emolumentos, contribuições e outras denominações da cadeia dos tributos. A melhor distribuição de renda proposta pela Campanha da Fraternidade também terá respaldo popular, pois não há justificativa plausível para que tantos vivam abaixo da linha da pobreza num país rico e habitado por legiões de milionários e abastados. Espera-se que além de tratar da questão tributária e da distribuição de renda a Campanha da Fraternidade também leve pastores e padres a reverem o lado patrimonialista das religiões cristãs, que salvo as exceções de praxe induzem o cristão a crer que o grande elo entre Deus e ele é o recolhimento exato e adimplente do dízimo. Em tese, as igrejas cristãs movimentam 10% da moeda circulante com o recebimento do dízimo da população, basicamente cristã. Portanto é importante rever essa relação e o momento é ideal por a melhor cobrança é aquela feita paralelamente ao exemplo dado pelo cobrador. O Brasil é estado laico e não pode interferir na forma de condução das igrejas, sinagogas, terrenos de umbanda, mesquitas e outros templos. Mas, a Campanha da Fraternidade deste ano convida o povo, cristão ou não, ao debate amplo sobre economia e vida, o que não exclui da pauta a relação patrimonialista das igrejas promotoras com seus seguidores. O tema “Economia e vida” é muito abrangente e não pode se deixar engessar pelo conceito da mão única da visão de religioso de dentro das igrejas para fora, e exige que seu debate chegue aos altares e púlpitos. Somente assim, com amplitude, é possível encontrar o caminho da melhor relação possível entre capital e trabalho, entre ricos e pobres e entre o material e o espiritual. “Melhor cobrança é aquela feita paralelamente ao exemplo dado pelo cobrador”

Edição EDIÇÃO 16959




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