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Editoriais
Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2010, 09h:50

Agronegócio forte

Não há indicador mais apropriado para se avaliar o desempenho econômico de determinado setor do que sua movimentação bancária, principalmente no tocante aos financiamentos, porque essa área revela sua capacidade de contrair endividamento e seu crédito junto as instituições financeiras públicas e privadas. Ontem, a Superintendência do Banco do Brasil divulgou em Cuiabá o balanço de suas atividades em Mato Grosso, no ano passado. No período sua Carteira de Crédito Agrícola financiou em suas diversas linhas, R$ 1,3 bilhão aos produtores rurais. Esse volume representa incremento de 32% no comparativo com 2008. O resultado apresentado pelo banco que é o principal agente financeiro institucional no segmento do agronegócio revela vitalidade desse setor, por duas razões. A primeira, pelo aumento do volume financiado. A outra, porque tais operações representam pequena parcela do financiamento que move a cadeia produtiva mato-grossense, o que deixa implícito que a movimentação financeira para funcionar a engrenagem agrícola foi muito maior. Não há números oficiais sobre o montante financiado ao setor agrícola em Mato Grosso, mas estima-se que atualmente o papel do Banco do Brasil não chegue a 20% desses negócios, já que as trades ocuparam grande fatia desse mercado, onde atuam pelo sistema de escambo (insumos X produtos) e produtores rurais capitalizados tocam lavouras com recursos próprios. Independentemente do montante financiado ou do desembolso aplicado diretamente pelo produtor rural, o setor agrícola demonstra força suficiente para superar as intempéries climáticas, os problemas fitossanitários e as turbulências do setor econômico internacional, que em conjunto ou isoladamente sempre causam problemas, murcham lucratividade, reduzem produtividade, mas nunca conseguem impedir que ano após ano o arado continue nas mãos do agricultor para que esse plante e depois arranque do solo o alimento que garante a mesa farta nas cidades brasileiras e em vários outros países dispersos pelos continentes. A força demonstrada pelo agronegócio não pode ser dimensionada somente pelos números do financiamento em si. Para melhor conhecê-la é imprescindível saber que essa atividade é exercida sob adversidades, pois os produtores rurais são mantidos permanentemente sob cerco ambiental, trabalhista e indigenista, além de enfrentarem problemas por falta de infraestrutura para escoamento da colheita, inconstância da política agrícola e a concorrência de safra plantadas em outros países com menor cadeia tributária e apoio de subsídios. Mais que revelação de números o Banco do Brasil mostrou por uma fresta na janela o que é o agronegócio mato-grossense, atividade que vai além da relação do homem com a terra, porque é o grande gerador de impostos no Estado e o principal pilar de sua economia. “O setor agrícola demonstra força suficiente para superar as intempéries”

Edição EDIÇÃO 16959




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