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Editoriais
Segunda-feira, 02 de Junho de 2008, 21h:27

A dívida agrícola

Num panorama mundial em que produção, distribuição e preço dos alimentos se transformaram em questões estratégicas, nas quais o Brasil está profundamente envolvido, a renegociação de 2,8 milhões de contratos de crédito rural representa um fato importante para todo o setor primário brasileiro. Ainda que algumas das organizações dos produtores critiquem como insuficiente o conjunto de medidas anunciado pelo governo na última terça-feira, não há dúvida de que se trata de um avanço. A circunstância de ocorrer num momento em que os preços mundiais das commodities são os melhores dos anos recentes, em que as perspectivas do setor primário se apresentam promissoras e em que todo o ambiente se afigura otimista indica que o poder público está consciente de que esta é uma situação excepcional que precisa ser valorizada e incentivada. O endividamento agrícola tem sido visto como um dois principais entraves para que a agricultura brasileira conquiste o patamar que lhe parece reservado neste começo de século: o de principal celeiro do planeta. A crise dos preços agrícolas e suas implicações sociais e econômicas são temas graves que mobilizam organizações multilaterais e estrategistas do desenvolvimento. O Brasil e os demais grandes produtores de alimentos passam a ocupar um papel importante. A própria polêmica em relação aos biocombustíveis revela a complexidade da questão agrícola, pela primeira vez imbricada com aquela que já vem sendo chamada de terceira crise do petróleo. O Brasil, com sua produção de alimentos em alta, com seus milhões de hectares de terra arável ainda inexplorados, com sua tecnologia automotiva e com sua capacidade de produzir etanol, está no centro desse debate, numa posição privilegiada. Com a renegociação das dívidas, centenas de milhares de produtores rurais poderão ser reincorporados à atividade passando a integrar a força produtiva brasileira. Se os bons ventos globais continuarem e se a conjuntura climática não apresentar surpresas, o atual momento agrícola - ajudado pela presença do poder público e por uma política adequada - poderá marcar uma etapa única de progresso e de fortalecimento para o setor primário brasileiro. “A crise dos preços agrícolas e suas implicações sociais e econômicas são temas graves”

Edição EDIÇÃO 16959




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