A decisão de prorrogar ou não a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis, produtos da linha branca e materiais de construção só deve ser tomada mais perto do final do mês. Uma fonte do Ministério da Fazenda explica que estão sendo considerados os aspectos macroeconômicos. Há um reconhecimento de que a situação está melhor que no final do ano passado, quando a medida foi adotada para automóveis, e que, em março, quando houve a prorrogação do prazo para o setor automotivo e a redução do IPI para alguns materiais de construção e da linha branca. A avaliação é que o crédito está voltando a patamares aceitáveis e há uma retomada da produção destes produtos. Por isso, há quem defenda a não prorrogação do incentivo fiscal. Um assessor do governo lembra que, em março, já houve uma discussão sobre a conveniência de prorrogar ou não o benefício para o setor automotivo. Pesa na discussão também o tamanho da eficácia da medida caso ela se prolongue por mais tempo. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, tem afirmado publicamente que é contra a redução da alíquota de IPI no segundo semestre, mas nos bastidores não tem sido tão enfático. O argumento defendido por ele é que vários países da Europa têm concedido incentivos, em dinheiro, para a compra de veículos. Por isso, considera razoável a prorrogação para as montadoras, se o impulso nas vendas for mantido em junho. O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva já manifestou a vontade em manter a redução de IPI para automóveis até o final do ano, em função de ser um setor de forte impacto na economia e intensivo de mão de obra. Para os produtos da linha branca, há uma avaliação no governo de que a medida não surtiu os efeitos desejados. A decisão final só será anunciada às vésperas do término do benefício.