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Cuiabá MT, Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

ECONOMIA
Sábado, 13 de Fevereiro de 2010, 08h:59

INFLAÇÃO

Preços atacadistas puxam IGP-10

ALESSANDRA SARAIVA
Da AE – Rio
Aumentos espalhados nos preços atacadistas impulsionaram o resultado do Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10), que subiu 1,08% em fevereiro, após avançar apenas 0,20% em janeiro. Segundo o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Salomão Quadros, produtos agrícolas e industriais estão em alta no atacado. De acordo com ele, tanto o setor industrial como o setor agrícola têm sido influenciados por um câmbio mais elevado; por um movimento de recuperação de preços em um ambiente de retomada da atividade no cenário pós-crise; e por uma redução na oferta de cana-de-açúcar e derivados. Assim como a taxa do IGP-10, a inflação no atacado também disparou (de 0,07% para 1,15%), de janeiro para fevereiro. O técnico da FGV comentou que a moeda norte-americana tem grande influência nos preços de produtos atacadistas, principalmente commodities. Ele negou que os recentes movimentos de desvalorização do real ante o dólar sejam uma influência preponderante na formação de preços do atacado. Mas admitiu que, em comparação com o ano passado, quando o dólar praticamente não puxou para cima a inflação mensurada pelos Índices Gerais de Preços (IGPs), o câmbio em 2010 não está mais tão estático. "O câmbio está aparecendo mais como influência nos Índices Gerais de Preços (IGPs) e pode vir a ter um papel mais importante, nas próximas divulgações", afirmou. Outro ponto destacado pelo economista foi o movimento de recuperação de preços de produtos que estão fortemente relacionados ao ambiente de retomada na atividade industrial. É o caso, por exemplo, de materiais para manufatura, cuja taxa de variação de preços saltou de 0,65% para 2,36%, de janeiro para fevereiro. "Isso representa aquecimento (na economia), basicamente", afirmou. O técnico também comentou que ocorre uma recuperação de margens em produtos que foram duramente afetados pelo recuo na demanda internacional, devido à crise. É o caso de bovinos (de -0,98% para 1,61%). "O mercado internacional deve estar mais comprador. Há um movimento de recuperação no preço da carne. Isso deve ganhar mais consistência ao longo do ano", comentou. Quadros chamou atenção para o fato de que a redução de oferta de cana-de-açúcar e seus derivados, já observada em divulgações anteriores dos IGPs, ainda pode ser observada no IGP-10. Ele lembrou que a produção da cana está na entressafra e, ao mesmo tempo, a demanda internacional por açúcar, impulsionada no ano passado pela quebra de safra na Índia, e a procura doméstica por álcool, continuam intensas. Isso elevou os preços de praticamente todos os produtos relacionados ao setor. É o caso de açúcar cristal (18,89%); cana-de-açúcar (34,33%); e álcool etílico anidro (13,32%).

Edição EDIÇÃO 16959




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