NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

ECONOMIA
Sexta-feira, 01 de Abril de 2011, 19h:36

EFEITO MORALES

Nova interrupção do GNV

Distribuidora confirma perda de pressão nos dutos por falta de envio do combustível e paralisa entregas

MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
Os consumidores do Gás Natural Veicular (GNV), em Mato Grosso, poderão iniciar a próxima semana sem o combustível. Ontem, a GNC/MT - empresa responsável pelo transporte e distribuição do gás natural em Mato Grosso – anunciou que paralisou a entrega do produto aos postos e à planta da Sadia. É a segunda vez em menos de dois anos que o fornecimento é interrompido por falta de pressão nos dutos para enchimento dos compressores do City Gate, no Distrito Industrial de Cuiabá, onde é armazenado o estoque de gás proveniente da Bolívia. O desenvolvimento do gás no Estado, assim como o sentimento de segurança sobre esta matriz energética, ainda esbarram na falta de um contrato seguro de fornecimento e transporte a partir da Bolívia. Os postos estão sem receber Gás Natural Veicular (GNV) desde ontem e a previsão é de que a partir de hoje o produto comece a faltar em algumas revendas. A previsão é que já na próxima semana, não haja gás em nenhum estabelecimento. Em Cuiabá, cinco postos abastecem carros a GNV, mas apenas três estão funcionando – os demais estão com equipamentos quebrados ou passando por manutenção. “Lamentamos, mas não há mais condições técnicas para a continuidade do fornecimento aos clientes porque simplesmente não há mais pressão no duto. Não houve outra saída senão paralisarmos as entregas”, disse ontem o engenheiro Francisco Jamal Soares Almeida, da GNC/MT. A empresa é responsável também por fazer a compressão do gás, bem como a sua comercialização em todo o Estado por meio de uma concessão da MT Gás, a Companhia Mato-grossense de Gás. O contrato com a estatal tem prazo de vigência de 20 anos e foi concebido com garantia de entrega mínima de 50 mil metros cúbicos (m³/dia) em 2009, 55 mil m³ em 2010 e, 60 mil m³, em 2011. Mas as entregas não vinham sendo cumpridas. O último carregamento aos postos foi feito na quinta-feira. “Os estoques podem ser esgotados até mesmo antes do previsto, depende do quanto será consumido neste final de semana por conta do anúncio da paralisação das entregas”, disse Jamal. Ele conta que já “vinha alertando a MT Gás” de que a pressão dos dutos estava baixa desde janeiro e que a qualquer hora o fornecimento poderia ser interrompido. “Não tomaram as providências e chegamos ao fundo do poço. Fomos até ao último limite. Paramos porque o compressor não tem mais força para mandar gás. Não podemos fazer nada, só lamentamos mais uma vez. O engenheiro informou que um compressor já estava parado há mais de 45 dias, por falta de pressão. “Normalmente, os compressores são programados para trabalhar com 30 BARs (medida de pressão do gás nos dutos). Estávamos trabalhando com pressão de 17 BARs. Chegamos num momento em que o equipamento já não respondia mais e parou de funcionar quase que automaticamente”. Segundo Jamal, a GNC/MT estava trabalhando para tentar impedir que o fornecimento ocorresse. “Não alertamos ninguém e nem tornamos público esta informação para não causar alardes e sobressaltos ao mercado. Infelizmente, o pior aconteceu e agora não sabemos quando o fornecimento será restabelecido. Vivendo uma insegurança total e o projeto, mais uma vez, cai no descrédito da sociedade”. Em todo o Estado, são oito postos com equipamentos para abastecer veículos a GNV. Além dos cinco em Cuiabá, dois foram construídos em Várzea Grande (mas apenas um está em operação) e outro em Rondonópolis. A planta da Sadia, em Várzea Grande, também comprava gás natural para movimentar seu parque industrial. Com o fim dos estoques, todos ficam sem gás natural já a partir da próxima semana.

Edição EDIÇÃO 16959




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL