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ECONOMIA
Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2010, 10h:45

EFEITO MORALES

MT em status prioritário

Valorização do mercado local de gás foi ratificada pelo presidente da YPFB, que esteve ontem em Cuiabá

MARIANNA PERES
Da Editoria
Pela primeira vez, desde que o presidente da Bolívia, Evo Morales, decretou a nacionalização dos hidrocarbonetos em maio de 2006 – e deu início à crise do gás natural em Mato Grosso - um representante do alto escalão daquele governo vem até Cuiabá para tratar do assunto. Ontem, após audiência com o governador Blairo Maggi, o presidente da estatal boliviana de hidrocarbonetos, Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), Carlos Villegas, afirmou que Mato Grosso é mercado importante e rentável à Bolívia e mais, que o seu governo está disposto a contribuir na busca de soluções que envolvam o suprimento ao Estado, bem como, no médio prazo, ampliar as remessas de gás em forma de contratos firmes de 1,5 milhão de metros cúbicos para 2,2 milhões. A afirmação coloca por terra declarações anteriores de Villegas, ainda como ministro de Hidrocarbonetos, onde dizia que Cuiabá seria atendida na medida do possível “como puder”, como declarado ainda em 2007. Segundo informação do representante boliviano ao governo do Estado, a oferta de mais metros cúbicos viria da redução dos volumes entregues à Argentina. Mas o corte já vem sendo efetuado em função da limitação dos campos de produção da Bolívia. Apesar dos números dos campos de produção bolivianos apontarem para déficits entre a oferta de contratos feitos pela YPFB e o cumprimentos dos volumes acordados, Villegas frisa que há disposição para ampliar o contrato firmado em setembro do ano passado com o governo estadual, acordo esse válido por dez anos. “Temos relações fraternas com Mato Grosso”. FERTILIZANTES - Além dos compromissos assumidos pelo representante boliviano, Villegas declarou que existe um projeto em seu país para construção de uma planta para extração de uréia e amônia (subprodutos do gás natural) que servem de matérias-primas para a produção de fertilizantes. Sendo Mato Grosso o maior consumidor de fertilizantes por hectare no mundo e um dos maiores produtores agrícolas do Brasil, houve comprometimento do governo boliviano em construir o projeto próximo à fronteira com Mato Grosso e assim abastecer a demanda estadual e com isso reduzir o preço deste insumo agrícola. Villegas afirma não haver parcerias com Mato Grosso para edificação do projeto e que vai agora mensurar a real demanda mato-grossenses pelos subprodutos e então avaliar a viabilidade de posicioná-lo na fronteira. Com informações positivas, a fábrica vira realidade em cinco anos. PROBLEMA – Após a audiência no Palácio do governo, ontem, o secretário de Estado de Indústria, Comércio, Minas e Energia, Pedro Nadaf, fez questão de reiterar que o Estado buscou e conseguiu entendimento com o governo boliviano e obteve êxito ao firmar um contrato de compra e venda de gás por dez anos. Porém, Mato Grosso ainda vive a insegurança do insumo porque o transporte de gás da Bolívia até o Distrito Industrial de Cuiabá vinha sendo feito pela GasOcidente, um braço da Pantanal Energia – bem como é a EPE -, mas interrompido em outubro do ano passado por força de uma decisão judicial arbitral contra a empresa. Sem poder trazer gás, o contrato recente não estava sendo cumprido até o final do ano passado, já que sem a operação da usina – que demanda maior volume de gás, a GasOCidente teve seu custo de ‘frete’ majorado sem receber na mesma proporção. “Por isso, precisamos de uma solução definitiva ao suprimento e que ela inclua a térmica de Cuiabá”, aponta Nadaf. Até o dia 28 deste mês, o transporte está sendo possível porque a Pantanal Energia e a GasOcidente firmaram com o Estado um contrato emergencial que pôs fim à falta de gás veicular que durava mais dois meses no Estado. Há uma solicitação de prorrogação feita pelo Estado à Pantanal Energia. Caso não haja dilatação do prazo, o gás natural voltará a faltar já no início do março. Sem gerar energia a Pantanal Energia está há dois anos sem receita e, ao longo desse período, manteve investimentos da ordem de US$ 50 milhões para custear o transporte do gás somente em território estadual para atender a MT Gás, estatal local que explora o gás natural. Foram cerca de R$ 3,6 milhões ao mês, ou R$ 86 milhões. Em contrapartida, a MT Gás pagou cerca de R$ 12 a 20 mil por mês pelo “frete” à GasOcidente, cifras proporcionais ao volume consumido.

Edição EDIÇÃO 16959




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