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ECONOMIA
Terça-feira, 12 de Dezembro de 2006, 20h:02

Liberação não afeta positivamente

A Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) confirmou ontem a suspensão do embargo russo aos produtos cárneos e lácteos termicamente processados, provenientes de todo o Brasil. A flexibilização inclui o Mato Grosso do Sul e o Paraná e vale para produtos cuja matéria-prima é originária de estabelecimentos habilitados a exportar carnes e derivados para aquele mercado. O coordenador do Centro Boi da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato), Luciano Vacari, chama a atenção para a condição “termoprocessada”. “Não vale para carnes vendidas in natura ou para importação de animais vivos, sejam suínos e bovinos. Sendo assim, é uma medida que não trará efeitos positivos, o impacto será mínimo, em razão da pouca participação russa na aquisição de carne termoprocessada”. O maior mercado para a carne que passa por este processo é Estados Unidos. “Se a abertura fosse para o produto in natura o impacto seria positivo, inclusive para Mato Grosso. Essa medida enxugaria a oferta – represada deste os focos de febre aftosa no Mato Grosso Sul – no mercado de forma geral. E isso, certamente repercutiria em preços melhores para a arroba”, avalia. Vacari lembra que enquanto houver restrições às importações feitas pela Rússia, “haverá excesso de oferta de bois e carne no mercado”. Outra observação sobre os impactos da abertura total às carnes brasileiras é com relação aos volumes. “Mato Grosso tem capacidade de produção abaixo de mercados como São Paulo. Este por sua vez, não tem matéria-prima (boi) como Mato Grosso. A partir do momento que a demanda por carnes aumenta em praças como São Paulo, o mercado vem procurar a matéria-prima aqui”. De qualquer forma, Vacari considerada a suspensão anunciada ontem, como positiva sob o aspecto psicológico para o mercado. “A decisão russa revela que existe boa vontade por deles em equacionar este problema e retomar as compras. Revela também que as condições sanitárias brasileiras estão sendo satisfatórias”. ANÚNCIO - A retomada das importações foi comunicada ao governo brasileiro pelo vice-chefe do Serviço Federal de Supervisão Veterinária e Fitossanitária da Rússia, Evgueni Nepoklonov. O comunicado indica que a importação de produtos de carne bovina e lácteos, industrializados e submetidos a tratamento térmico, foi autorizada desde a última segunda-feira. “Essa flexibilização facilita principalmente a importação, pela Rússia, de pratos prontos para comercialização diretamente no varejo”, esclareceu o diretor do Departamento de Assuntos Sanitários e Fitossanitários do Mapa, Odilson Ribeiro. Em outubro, a Rússia anunciou o fim das restrições comerciais às carnes bovinas e seus derivados crus dos estados São Paulo e Goiás. Em agosto, o governo russo suspendeu o embargo às carnes do Mato Grosso e em abril restabeleceu o comércio do Rio Grande do Sul. Atualmente, estão mantidas as restrições às importações de animais vivos, carne suína, carne bovina e produtos de carne crua de suínos e bovinos provenientes dos estados do Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. As restrições temporárias às importações de produtos de origem animal do Brasil para a Rússia começaram em dezembro de 2005, após a ocorrência de focos de febre aftosa no Mato Grosso do Sul e no Paraná. Desde então, o governo russo vem revogando estas restrições parcialmente. A Rússia é individualmente o maior importador de carnes do Brasil. No ano passado, os russos importaram aproximadamente US$ 555 milhões de carne bovina in natura do Brasil. Só em agosto deste ano, já foram exportados para a Federação Russa cerca de US$ 67 milhões em carne bovina in natura. (Com Ministério da Agricultura)

Edição EDIÇÃO 16959




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