ECONOMIA
Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2013, 21h:21
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MODELO
Justiça executa arresto
Três lojas da rede mato-grossense estiveram fechadas por quase toda manhã para que um fornecedor recebesse dívida
MARIANNA PERES
Da Editoria
Três lojas da rede mato-grossense de supermercados Modelo IGA foram alvo na manhã de ontem de uma ação judicial de arresto em favor de um fornecedor, a Focos Alimentos. A dívida, estimada em R$ 600 mil mas não confirmada por nenhuma das partes foi executada nas unidades do Coxipó, Miguel Sutil e no bairro do CPA. Para que o fornecedor de produtos alimentícios pudesse cumprir a ação, as lojas ficaram fechadas por quase toda a manhã, mas voltaram a funcionar por volta do meio-dia. Toda execução foi acompanhada de um oficial de Justiça, policias, funcionários da Focus e gerentes e encarregados da Rede. A ação permitiu que o valor devido fosse pago em mercadorias que estavam nessas lojas. Pelo menos na unidade Coxipó, dois caminhões fizeram a retirada dos produtos, entre eles caixas de cerveja. O Diário tentou contato com representantes da Focus em Cuiabá, para ter detalhes da ação e se a execução de ontem foi suficiente para quitar o saldo devedor, mas o responsável não estava disponível. O Modelo não se manifestou até o fechamento desta edição, por voltas das 19h. O fechamento das lojas, mesmo que de maneira temporária, pegou de surpresa clientes, fornecedores e funcionários. Quem chegava para compras era informado de que a loja estava em balanço, mas a presença de policias chamava à atenção do consumidor. Alguns fornecedores disseram ao Diário que temem pela repercussão dessa ação de arresto e que ela pode abrir brechas para que outros ajam da mesma forma na tentativa de receber e ações seguidas possam dilapidar o mix da rede e piorar a situação. Houve também fornecedores que, por desconhecerem o que realmente se passava no interior da loja, também queria entrar para retirar seus produtos, mas apenas a Focus pôde ter acesso às mercadorias. SITUAÇÃO - A rede Modelo foi criada em 1984. De uma loja periférica no bairro Cristo Rei, em Várzea Grande, os irmãos Altevir e Altair Magalhães construíram uma rede que hoje engloba não apenas supermercados como também distribuidora e logística. Atualmente, entre lojas de varejo, atacarejo e hipermercados são 17 localizadas em Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Tangará da Serra e Primavera do Leste. A expansão pelo Estado rendeu à rede por vários anos seguidos posição de destaque no Anuário Exame Melhores e Maiores que lista as 500 maiores empresas do Brasil e as 100 maiores de cada região geográfica. Desde que se lançou para além dos limites da Capital, a rede sempre se destacou pelo seu pioneirismo. Além de ações de responsabilidade socioambiental, foi a primeira a se instalar, no Estado, dentro de um shopping center e também a primeira a levar para dentro das suas principais lojas comodidade e praticidade aos clientes por meio de farmácias, restaurantes, peixarias, pizzaria, açougues, pratos prontos, lanchonetes e eletroportáteis. Outra inovação local foi a criação de um programa de fidelidade aos clientes e de um calendário de ofertas fixas, como o dia certo de comprar frutas e verduras, carnes e derivados do leite, com preços diferenciados. Até 2010, como revelado a época ao Diário, a meta era chegar a 19 lojas e contabilizar três mil empregos diretos. Dos investimentos anunciados naquele ano, pelo menos um não se concretizou: a filial de Cáceres (250 quilômetros ao oeste de Cuiabá). INSEGURANÇA Apesar de tantas conquistas e histórias dentro do segmento mato-grossense de secos e molhados, há entre os fornecedores muita desconfiança em relação à saúde da empresa. Como o Diário apurou ontem, há pelos dois anos a empresa vem gerando desconfiança no mercado. Num primeiro momento ao reduzir o volume de compras, em outro a postergar pagamentos e até a não pagar, como foi em com a Focus Alimentos. A possível crise financeira da rede já era sabida pelo segmento, mas ontem, com a ação de arresto, se tornou mais pública. Muitos clientes já vinham reclamando da falta de produtos, quantidade e variedade, nas lojas do Modelo. Um fornecedor disse ontem ao Diário que empresas representantes de grandes marcas nacionais já deixaram de entregar seus produtos à rede Modelo por falta de pagamento. O último grande investimento anunciado pela Rede foi em dezembro de 2010. Após confirmar mais três lojas para 2011, totalizando investimentos de R$ 15 milhões, o grupo Modelo confirmou outros projetos: duas lojas de atacarejo, uma em Cuiabá e outra em Cáceres, ainda para 2011. Os investimentos chegariam a mais R$ 10 milhões. De lá para cá, se consolidaram apenas a reforma da matriz no Cristo Rei, onde foram aplicados cerca de R$ 3 milhões, abertura de uma filial em Primavera do Leste (239 quilômetros ao sul de Cuiabá) e do Atacado Beira-Rio. A loja de Cáceres não se concretizou.