Hidrovia do Paraguai continua embargada pela Justiça Federal
A última tentativa de retomar a navegabilidade da hidrovia Paraguai-Paraná em larga escala ocorreu há cerca de cinco anos, quando a Macrologística Consultoria e a Companhia Interamericana de Navegação e Comércio (Cinco) tentaram investir US$ 10 milhões na infra-estrutura de portos. Os recursos seriam aplicados na criação e estruturas anexas para um porto na região de Cáceres, no leito do rio Paraguai, na localidade da Fazenda Santo Antônio das Lendas. Ao final do prazo do investimento, a hidrovia Paraguai-Paraná teria potencial para transportar três milhões de toneladas de soja ao ano, e ainda importar fertilizantes e trigo dos países do Mercosul. Porém, a continuidade do projeto esbarrou nas amarras ambientais e a Justiça Federal, por ação do Ministério Público Federal, embargou as obras no trecho dentro do Brasil, no total de 3.442Km da hidrovia. Atualmente, a hidrovia transporta cerca de 200 mil toneladas de soja por ano, algo em torno de 1% da produção atual de Mato Grosso, estimada em 17 milhões de toneladas. O presidente da Cinco, Michel Chaim, aponta que no Brasil há uma sobreposição de funções e o sistema produtivo é massacrado com o custo Brasil, sem falar nos impostos". Segundo ele, há uma grande deficiência nos organismos de fiscalização e controle de aduana quanto se trata de transporte internacional, como a demora para despachar documentos. De acordo com levantamento, os produtores perderam em três anos US$ 45 milhões devido à falta de uma infra-estrutura com operação plena como a hidrovia para escoar a produção. "Com o sistema em funcionamento de Cáceres são US$ 15 a menos por tonelada no transporte", sustenta. (MM)