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Cuiabá MT, Quinta-feira, 18 de Junho de 2026

ECONOMIA
Sexta-feira, 04 de Abril de 2008, 20h:17

PREJUÍZOS

Greve de auditores deve causar colapso em portos e aeroportos

Custo da paralisação que completa hoje 19 dias é de US$ 38 milhões, segundo Coppead

A greve dos auditores fiscais da Receita Federal do Brasil, que hoje completa 19 dias, ameaça provocar um colapso nos principais portos e aeroportos do País, além de estrangular a produção de uma série de indústrias. Só no Porto de Santos, o maior da América Latina, 90% dos terminais estão com áreas comprometidas com a armazenagem de cargas retidas. Se a paralisação continuar por mais uma semana, não haverá espaço para descarregar os navios, alerta o Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp). Segundo fontes do setor, nos últimos dias, alguns terminais enviaram até comunicado para os armadores explicando o problema e alertando para possíveis transtornos. As empresas, porém, preferem não aparecer com medo de represálias futuras. A situação é semelhante em aeroportos, como Congonhas, na capital, e Viracopos, em Campinas, onde as filas de caminhões já imitam a dos portos. Segundo o presidente do Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de São Paulo (Sindasp), Valdir Santos, a situação está complicada e pode piorar se técnicos do Tesouro Nacional também entrarem em greve. Segundo ele, em Viracopos os terminais estão lotados a ponto de deixar aviões esperando no chão até descarregar as mercadorias. Detalhe: o custo diário de uma aeronave parada está em torno de R$ 200 mil. No caso dos navios, o valor varia entre US$ 40 mil e US$ 60 mil, diz o presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários, Wilen Manteli. Segundo cálculos do Centro de Logística da Coppead/UFRJ, o custo de 19 dias de greve dos auditores fiscais é de US$ 38 milhões. "Esse é o custo de oportunidades, da mercadoria parada no porto ou aeroporto", afirma o professor da instituição Paulo Fleury. O prejuízo não leva em conta os transtornos vividos pelas empresas Na Zona Franca de Manaus, sete indústrias da área de eletroeletrônicos, celulares e bicicletas pararam suas linhas de produção e deram folgas remuneradas para 7 mil funcionários. "Trata-se de um problema que atinge as empresas pelo sexto ano consecutivo. Quem paga a conta é a sociedade, pois os auditores não vão perder seus salários", desabafa o presidente do Sindicato das Indústrias de Aparelhos Eletroeletrônicos e Similares de Manaus, Wilson Perico. A entidade conseguiu liminar para que as mercadorias sejam liberadas, mas afirmou que a determinação não está sendo atendida. O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) também está amparado por liminares. Até a última quinta-feira, 750 empresas haviam solicitado cópia da decisão para tentar liberar suas compras.

Edição EDIÇÃO 16965




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