ECONOMIA
Quarta-feira, 16 de Fevereiro de 2011, 20h:20
A
A
CARTÃO DÉBITO
FCDL alerta para novo golpe contra consumidor
Fraude de cartões e pirataria correspondem ao mesmo montante estimado no giro do narcotráfico brasileiro
A perda financeira relativa à fraude de cartões e a pirataria de produtos no Brasil, segundo o especialista em fraudes contra clientes de bancos e comércio, Arnaldo Ferreira dos Santos, corresponde ao mesmo montante estimado no giro do narcotráfico brasileiro cerca de R$ 400 milhões/ano. A questão é de responsabilidade tanto dos bancos quanto da polícia, diz. Na atualidade, novo golpe promete somar mais cifras para o mundo do crime e agora com o cartão de débito, que a maioria acredita que estabeleça uma operação inviolável ou incorruptível. O consumidor entrega o cartão para efetuar o pagamento. O atendente passa o cartão na maquineta e, tapando com a mão o visor, pede que a pessoa digite a senha. Na verdade, este atendente integra a quadrilha de criminosos. E o campo que ele disponibiliza para o dono do cartão digitar a senha é, na verdade, o do valor do consumo, em que os números ficam visíveis, explica o presidente da Federação das CDLs de Mato Grosso, José Alberto Vieira de Aguiar. SENHA José Alberto conclui que depois que o consumidor digita a senha o atendente leva a maquineta para o balcão e anota os números digitados. O especialista Arnaldo dos Santos completa que após esta ação ele volta até o cliente e diz que não foi possível a conexão completa e refaz, desta vez corretamente, toda a operação. Mas aí ele já detém a senha do consumidor, que ele usará criminosamente, alerta, apontando ainda que a Ciello, marca de maior mercado em operações de cartões no Brasil, já está trabalhando a exigência de mais um acionamento numérico por parte do titular do cartão para evitar fraudes como esta. O presidente da FCDL explica que do caso que se tem conhecimento, o golpe foi aplicado em operação em posto de gasolina. Mas, é preciso que os cidadãos estejam atentos e sempre de olho na transação com seus cartões, cuidando para que seja feita sob suas vistas e conferindo todos os dados. Os golpistas podem estar em qualquer estabelecimento ou mesmo como espiões dentro dos computadores, por meio de vírus. O empresário lembra ainda que Cuiabá e todo o estado de Mato Grosso já são vitrine de roteiro turístico no mundo. Portanto, lojistas e empresas em geral precisam ter bastante cuidado com estes acontecimentos. E, de outro lado, se preparem para o aumento de movimento de cartões estranhos, do mundo todo, que também podem vir já como parte de golpes e más intenções. MAIS GOLPES O especialista Arnaldo dos Santos esclarece que um segundo golpe com cartões é o do falso funcionário de operadoras. Ele chega com crachá, documentos e todo o aparato referente a alguma marca de cartão, oferecendo revisão ou uma nova tecnologia a estabelecimentos comerciais, de serviços e outros que praticam operações nesta modalidade de pagamento. Troca a máquina da empresa por uma que ele leva já com o sistema criminoso. Trata-se de um chip, um chupa-cabra, que gravará cerca de 100 posições de cartões, aponta ele. Em uma semana os criminosos voltam aos estabelecimentos, dizendo que o teste foi concluso ou que a tecnologia não foi aprovada, devolve a máquina anterior e leva a que tem gravadas as 100 posições de cartões, por meio das quais serão aplicados os golpes nos consumidores e bancos. CONSCIÊNCIA Ele explica que é preciso que o cidadão tenha consciência de como acontecem os golpes, quais riscos correm e o quanto estes significam na atualidade. Mas é cômodo para os bancos e operadoras não divulgarem, pois vendem credibilidade e segurança, responde Ferreira, completando que as instituições financeiras ainda fazem a conta de que é mais barato investir em tecnologia de atendimento eletrônico mesmo com todos os ressarcimentos por fraudes e roubos do que em atendimento humano aos clientes. Sobre o papel da polícia, o especialista coloca que é crime e, portanto, requer esta atenção, que não vem sendo devida. A polícia não tem buscado a fórmula efetiva de solução e vê a situação como sendo de responsabilidade dos bancos.