ECONOMIA
Domingo, 21 de Fevereiro de 2010, 00h:46
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HORÁRIO DE VERÃO
Empresas não economizam
Cemat constatou redução de demanda de 4,55% mas empresas garantem que não houve economia e redução de consumo
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
O horário de verão terminou no sábado à meia noite e, apesar de a Cemat (Centrais Elétricas Mato-grossenses) ter constatado uma redução da demanda de energia no horário de ponta em 4,55% durante a vigência do horário de 18 de outubro de 2009 a 20 de fevereiro as empresas garantem que não houve economia e redução do consumo neste período. Não notamos mudança na rotina das empresas, pois as máquinas trabalharam normalmente inclusive nos horários de ponta, consumindo a mesma quantidade de energia prevista para este período do ano, garante Jandir Milan, vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiemt) e empresário do setor moveleiro na Grande Cuiabá. Segundo ele, a indústria funciona em período integral e o horário não reflete em economia de energia para a empresa. Pelo contrário, com o horário de verão o trabalhador tem que levantar mais cedo e sair de casa ainda no escuro. Isso não é bom devido ao problema da segurança. Milan lembra, contudo, que se Mato Grosso não adotar o horário quando outros Estados adotarem, a situação pode ficar pior. Neste caso teremos duas horas de diferença em relação ao fuso de São Paulo, por exemplo, e isso não é bom para o setor produtivo, que precisa trabalhar de acordo com o horário dos fornecedores. O prejuízo seria maior. O ideal, segundo o empresário, era que não houvesse a necessidade de adotar o horário de verão em nenhuma região do país. Isso não se justifica em pleno período de geração de energia, quando os reservatórios das usinas estão cheios, sustenta. Para o empresário Paulo Gasparotto, da Federação do Comércio, Bens e Serviços de Mato Grosso (Fecomércio), o horário de verão também não interessa para o setor comercial. A mudança do horário não altera nada. Pelo contrário, só traz dificuldades e transtornos para o segmento produtivo. A indústria de refrigerantes Marajá, com sede em Várzea Grande, também não constata economia e redução de consumo de energia durante o horário de verão. Não altera nada na rotina da empresa e o impacto é praticamente zero em termos de economia de energia, diz uma fonte da indústria. CEMAT - Na avaliação da concessionária de energia Cemat (Centrais Elétricas Mato-grossenses), a redução do consumo de energia não é o principal objetivo do horário de verão. De acordo com o gerente do Departamento de Operação do Sistema (DOS), engenheiro eletricista Teomar Estevão Magri, a principal meta é reduzir a demanda máxima do Sistema Interligado Nacional (SIN) no horário de ponta, em todo o país. "O adiantamento do horário brasileiro de verão em uma hora permite que a carga referente à iluminação seja acionada mais tarde do que no horário normal. Desta forma, a entrada da iluminação deixa de coincidir com o consumo existente ao longo do dia do comércio e da indústria, cujo montante se reduz após as 18 horas", esclarece o engenheiro. OPINIÃO - Desde sua criação, em 1931, o horário de verão divide a opinião das pessoas. Para o engenheiro eletricista Paulo César Fernandes, não se trata apenas de uma questão de economizar energia. Ele propicia um deslocamento de carga no horário de pico. Nosso horário de pico nacional é considerado de 18 horas às 22 horas e, com a antecipação da realização de algumas tarefas, a utilização pelas indústrias, escolas e ambiente comercial em uma hora propicia a diminuição no horário mais crítico, explica.