ECONOMIA
Quarta-feira, 17 de Agosto de 2011, 18h:47
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EXPORTAÇÕES
Do campo para o mundo
Dez municípios mato-grossenses são responsáveis por 70% dos embarques e destes, oito são 100% agrícolas
MARIANNA PERES
Da Editoria
Dez municípios mato-grossenses concentram 70% das exportações estaduais realizadas entre janeiro a julho deste ano. No período, dos US$ 4,49 bilhões embarcados, US$ 3,13 bilhões foram negociados somente por eles. Desses, oito são eminentemente agrícolas e três deles lideram o ranking dos maiores municípios exportadores do Estado. Conforme dados regionalizados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), divulgados ontem, Sorriso (460 quilômetros ao norte de Cuiabá), segue liderando as exportações e registra incremento anual de negócios de mais de 80,6%. No acumulado do ano, 63 cidades registram negócios internacionais, ante 61 de janeiro a junho deste ano. A agrícola Sapezal (480 quilômetros ao noroeste de Cuiabá) faz uma disputa à parte com a agroindustrial Rondonópolis (210 quilômetros ao sul de Cuiabá). Desde o ano passado, a supremacia de Rondonópolis até então líder absoluto no comércio internacional mato-grossense foi quebrada e as duas cidades seguem, a cada mês, roubando a posição uma da outra. A perda da hegemonia tem explicação mercadológica. Com a escalada das cotações internacionais, o mercado consumidor tem preferido o grão em detrimento de óleo e farelo, produtos de maior valor agregado e que são processados em maior parte em Rondonópolis e em Cuiabá. E é graças a essa preferência internacional é que os municípios com perfil agrícola no Estado têm sido destaque na pauta local. A força da pujança do agronegócio é que vem mantendo Sorriso, por exemplo - que pela primeira vez neste ano assumiu a posição de líder - no topo do ranking mato-grossense. Até julho, Sorriso registra receita de US$ 466,48 milhões, cifras 80,62% acima do registrado em igual período do ano passado, US$ 258,44 milhões. O município é conhecido por deter a maior área de plantio destinada à soja do mundo, 600 mil hectares. De janeiro a julho, 99% dos embarques foram de soja em grão e de milho em grão, sendo que a China comprou cerca de 68% do tudo que o município exportou. Em segundo lugar está a também agrícola Nova Mutum (262 quilômetros ao norte de Cuiabá) com expansão de 18,61% no volume de negócios. As vendas passaram de US$ 369,50 milhões para US$ 427,43 milhões. Roubando a terceira posição está Sapezal com evolução de 12,19% sobre a receita acumulada no período que passou de US$ 369,43 milhões em 2010 para US$ 414,39 milhões até julho deste ano. Na quarta posição está Rondonópolis aliás, junto com Cuiabá, é a única a apontar desempenho negativo até julho recuou em 19,52% sua participação e sua receita na comparação anual que passou de US$ 511,24 milhões para US$ 411,42 milhões. E fechando o ranking dos cinco maiores exportadores de Mato Grosso está Campo Novo do Parecis (396 a noroeste de Cuiabá), com expansão de 44,72% ao ampliar a receita de US$ 237,55 milhões para US$ 343,34 milhões. MAIS Completam os dez maiores, Primavera do Leste (US$ 247,34 milhões), Cuiabá (US$ 240,98 milhões), Lucas do Rio Verde (US$ 223,05 milhões), Diamantino (US$ 187,22 milhões) e Querência (US$ 179,12 milhões). BRASIL Conforme o MDIC, nos primeiros sete meses de 2011, 2.269 municípios brasileiros realizaram operações de comércio exterior. Angra dos Reis (RJ) foi o que registrou a maior exportação no período (US$ 8,95 bilhões), assim como o maior superávit comercial (US$ 7,02 bilhões). No mesmo período de comparação, o maior exportador entre os estados brasileiros foi São Paulo (US$ 32,43 bilhões), acompanhado por Minas Gerais (US$ 22,25 bilhões) e Rio de Janeiro (US$ 17 bilhões). Em seguida, aparecem Rio Grande do Sul (US$ 11,04 bilhões) e Paraná (US$ 9,72 bilhões). SUPERÁVIT - Os estados que registraram os maiores superávits no comércio exterior foram: Minas Gerais (US$ 15,44 bilhões), Pará (US$ 8,72 bilhões), Rio de Janeiro (US$ 6,48 bilhão), Mato Grosso (US$ 5,06 bilhão) e Espírito Santo (US$ 2,62 bilhões).