NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

ECONOMIA
Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009, 20h:09

MERCADO

Amaggi transfere sede

Maior empresa mato-grossense anunciou ontem que deixa Rondonópolis. Matriz do Grupo terá Cuiabá como endereço

ANELIZE MORENO
Da Editoria
A maior empresa do Estado, o Grupo André Maggi (Amaggi), anunciou ontem a decisão estratégica de transferir a matriz de suas empresas, atualmente localizada em Rondonópolis, no sul do Estado, para a capital, Cuiabá. Todo o processo, que deve começar ainda em 2009, só será concluído dentro de dois a três anos. Negando qualquer fundo político na decisão, o presidente do Grupo, Pedro Jacyr Bongiolo, disse ontem ao Diário que a migração da sede já era avaliada internamente há bastante tempo e que a mudança se deve ao tamanho dos negócios do Grupo, que fechou 2008 com um faturamento de US$ 2 bilhões e tem planos de continuar crescendo. Em comunicado enviado à imprensa, o Grupo Amaggi – que pertence à família do governador Blairo Maggi - afirma que “assim como em 1984, quando o Grupo deixou São Miguel do Iguaçu, no Paraná, em busca de novos horizontes em Mato Grosso, é também a hora da matriz do Grupo André Maggi transferir-se para Cuiabá, de forma a aprimorar ainda mais sua performance”. O comunicado destaca ainda que o Grupo está vivendo uma nova fase, em que há a necessidade de expansão física, logística e estratégica. Bongiolo esclarece que a decisão não tem haver com questões comerciais e sim administrativas, mas deixa claro: não há ponto negativo na mudança. O presidente do Grupo destaca que, tendo em vista os negócios da Amaggi, que em outubro de 2008 inaugurou o primeiro escritório fora do Brasil, localizado em Roterdã, na Holanda, talvez nem Cuiabá fosse indicada para abrigar a matriz das empresas e sim um centro maior. Mas, ele cita a ligação do Grupo com o Estado para justificar a permanência do ‘cérebro’ da Amaggi em Mato Grosso. A Amaggi, cujo carro-chefe é a exportação de soja em grão, é a maior empresa mato-grossense, considerando todos os segmentos, e também a maior empresa brasileira de origem nacional do ramo do agronegócio. A mudança da matriz acontecerá por etapas. Na primeira delas, que começa e termina ainda neste ano, cerca de 50 funcionários serão transferidos para Cuiabá, onde por enquanto existe apenas um escritório do Grupo. Os demais serão direcionados para a futura matriz gradativamente. A migração total será concluída dentro de no mínimo dois e no máximo três anos. A Amaggi possui hoje 260 colaboradores na matriz em Rondonópolis (210 quilômetros ao sul de Cuiabá) e um total de 3,550 mil em todo o Grupo. Bongiolo lembra ainda que as questões administrativas sempre passam por Cuiabá. Ele cita o fato de ficar na Capital as sedes de órgãos como Receita Federal e secretarias de Fazenda e Meio Ambiente, além de entidades representativas do setor do agronegócio, ao qual a Amaggi está ligada, como a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato). “Isto faz com que frequentemente pessoas do Grupo em Rondonópolis tenham que ir para Cuiabá e com isso estamos expondo nossos colaboradores. Um dos maiores riscos é o de acidentes nas estradas”, comenta. A Capital também é um ponto de convergência quando o assunto é “transporte”. A maioria das unidades da Amaggi está localizada na região Centro-Norte do país, portanto se passa por Cuiabá para chegar até grande parte das filiais. Pesou também os projetos de novos investimentos em estados como Bahia, Tocantins, Piauí e Maranhão, todos localizados geograficamente acima de Cuiabá. Outro ponto levantando por Bongiolo é o transporte aéreo, que tem os vôos para as principais capitais do país concentrados no aeroporto Marechal Rondon, de Várzea Grande, cidade vizinha à Cuiabá. RONDONÓPOLIS – Após a transferência da matriz, o Grupo não deixará Rondonópolis completamente. Bongiolo garante que será mantido um escritório para representar as empresas na cidade. Ele não sabe se o escritório funcionará no mesmo local onde está edificada atualmente a sede do Grupo, na Avenida Presidente Médici. “Estamos fazendo um estudo para ver qual o melhor aproveitamento que podemos dar ao prédio (da matriz). Por isso ainda não sabemos se o escritório ficará lá ou se será instalado em outro local”. Bongiolo cita também que a Amaggi possui planos futuros para Rondonópolis. Com a possibilidade da construção de um terminal da ferrovia Senador Vicente Vuolo (antiga Ferronorte) na cidade, há intenção de construir uma grande esmagadora de soja no município. Um estudo de viabilidade já foi feito e o Grupo aguarda somente a confirmação da construção dos trilhos, atualmente paralisados em Alto Araguaia (415 quilômetros ao sul de Cuiabá), para dar início ao projeto. “Precisamos dessa confirmação para saber em que local será instalado o terminal (de cargas da ferrovia)”. Ele não informou o valor do investimento.

Edição EDIÇÃO 16959




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL