ECONOMIA
Quinta-feira, 27 de Maio de 2010, 21h:29
A
A
PECUÁRIA
Abates ainda mais comprometidos
Como diz um velho ditado do campo, a carroça empinou mais uma vez para os pecuaristas mato-grossenses. Segundo levantamento solicitado pela Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), ao Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), 33,67% da capacidade de abate está afetada, apesar dos acordos firmados nas Assembleias Gerais de Credores promovidas pelos frigoríficos Independência, Arantes e Quatro Marcos, que enfrentam processos de recuperação judicial. A capacidade total de abate no Estado, segundo registro no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e Indea (Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso), é de 38.056 mil cabeças/dia, e atualmente, 12.815 animais não têm onde serem abatidos. Das 40 plantas, apenas 23 estão funcionando e 17 paradas. Com o fechamento de três unidades do Frialto, a situação do pecuarista ficou mais delicada. O Frialto é responsável por 6,49% da capacidade de abate no Estado, mas na região do médio norte ele corresponde a 58,26% e na região Norte é de 24,86%. O fechamento dessas unidades do Frialto já reflete diretamente no preço da arroba do boi gordo. O pecuarista já recebe de R$ 2 a R$ 3 menos pela arroba que nas demais regiões, observa o superintendente da Acrimat, Luciano Vacari. Ele ressalta que a situação só vai reverter quando políticas públicas sérias forem voltadas para os pequenos e médios frigoríficos, que precisam de linhas de crédito para fluxo de caixa. A queixa de falta de recursos para os frigoríficos de menor porte é compartilhada pelo produtor rural e presidente da Associação dos Criadores do Norte de Mato Grosso (Acrinorte), Fernando Porcel. Indignado ele disse que o BNDES libera recursos para os grandes frigoríficos sem limites, mas para os pequenos o procedimento é bem diferente. Nós conhecemos as barreiras de crédito enfrentadas pelo Frialto. Porcel disse que estão todos apreensivos esperando a divulgação do plano de recuperação judicial do Frialto. Enquanto isto, estamos vendendo nosso gado pressionados pelas contas que estão vencendo, depois dessas contas pagas, vamos ver o que vamos fazer. CONCENTRAÇÃO - As noticias não são boas também para o setor quando o assunto é concentração de poder dos frigoríficos. O JBS tem 32,23% da capacidade de abate do Estado, com 11 unidades, mas, quando a análise é feita por região esses números aumentam de forma considerável. Na região do Arinos (norte) o JBS detém 66,27% da capacidade total de abate, na região centro sul 44,67% e na região sudeste 42,83%. O Marfrig, com duas plantas é responsável por 10% dessa capacidade. Apenas os dois grupos, o JBS e Marfrig, detêm 42,22% da capacidade de abate no Estado.