A espera do pequeno Marlon para o tratamento de bronquite é curta se comparada com a de Eduardo Vieira, vendedor de 22 anos. Ele conta que está com um furúnculo na perna incomodando desde a segunda-feira. De quinta para sexta-feira, ele passou a noite em claro com dor. O jeito foi se dirigir ao posto de saúde do Tijucal, onde mora, para conseguir ser examinado. Nada. De lá, encaminharam Eduardo para o ambulatório da Policlínica do Coxipó, onde olharam e disseram não ter médicos disponíveis, simplesmente. Eduardo foi ainda orientado a suportar a dor por cerca de uma semana, até conseguir, na policlínica, marcar uma consulta. Ninguém sugeriu qualquer analgésico para Eduardo já começar a tomar e aliviar sua dor. Eduardo vê claramente que não há médicos em prontidão. Ir à policlínica, ele lamenta, é o último recurso que possui como dependente da rede pública de saúde. Quando consegue atendimento, ainda é mal tratado. Acho que eles tratam a gente como se fosse um favor, odeio isso, diz Eduardo indignado, sentado num banco na frente da recepção da policlínica, recebendo no ar, como os demais pacientes, cinzas de uma queimada próxima na região. (RD)