CIDADES
Segunda-feira, 31 de Janeiro de 2011, 21h:39
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ÁREAS DE RISCO
Setenta famílias vão deixar o Praeirinho
Moradores de região à beira do córrego do Barbado, que vivem na iminência de sofrer inundação, irão para residencial ofertado pelo poder público
CAROLINA HOLLAND
Da Reportagem
Setenta famílias que vivem perto do córrego do Barbado, no bairro Praeirinho, serão retiradas de suas casas nesta sexta-feira por estar em áreas consideradas com alto risco de inundação por causa das chuvas. As famílias vão mudar para as casas do Residencial Novo Praeiro, também no bairro Praeirinho. As novas moradias fazem parte do projeto Minha Casa, Minha Vida, do governo federal. A ação é coordenada pela Agência Municipal de Habitação de Cuiabá, em parceria com Defesa Civil Municipal, Secretaria de Estado de Cidades e Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia. O presidente da Agência Municipal de Habitação, João Emanuel Moreira Lima, disse que as 70 famílias que serão retiradas vivem muito perto do córrego. Esse é considerado um dos fatores de risco. Outros são áreas insalubres e com chances de alagamento, explicou. De acordo com o presidente, a Agência tem feito o acompanhamento dos riscos às famílias há cerca de dois meses. As casas desocupadas serão demolidas para que não haja risco de as famílias voltarem a morar no local ou que imóveis sejam ocupados por outras pessoas. A família de Selma Roque Leonarda Gonçalves, 28, será uma das removidas do bairro. A cabeleireira vive há 16 anos na rua Golfinho, às margens do córrego, e nunca considerou a área perigosa, mas, mesmo assim, concordou com a mudança. Se estão dizendo que vamos para um lugar mais seguro, então é melhor. Até porque a estrutura da casa é melhor do que a minha atual e parece ser bem mais confortável, disse. A moradora também disse que aceitou a mudança porque as casas são doadas. Eu não teria condições de pagar um aluguel. Ia continuar morando aqui perto do córrego mesmo, frisou. Apesar de ser vista com bons olhos pela maioria dos moradores, algumas pessoas insistem em não deixar a área. É o caso da família da auxiliar de serviços gerais Genésia Regina Proença, de 45 anos. Ela afirma que não vai deixar o lugar onde mora há 14 anos porque achou as casas do Residencial Novo Praeiro muito pequenas. Lá não vai caber minhas coisas. Eu até toparia deixar minha casa, mas se fosse por uma do mesmo tamanho ou maior, alegou. A moradora afirmou que não tem medo de alagamentos e que, assim como aproximadamente outras 10 famílias, vai continuar morando perto do córrego. Já sei até que entregaram a chave da minha casa no residencial Novo Praeiro para outra pessoa. Daqui eu não saio, afirmou. O presidente da Agência Municipal de Habitação informou que as famílias que moram nas proximidades do córrego Gumitá também serão removidas. A previsão é que isso aconteça no final de fevereiro.