Ministério Público Federal pediu o afastamento de três policiais por envolvimento com o tráfico internacional
RENÉ DIOZ
Da Reportagem
Os policiais Neuri Alves da Silva, Jocenil Paulo de França e Adonai Novaes de Oliveira podem ser afastados do serviço público nos próximos dias pela Justiça federal devido ao envolvimento no tráfico de drogas internacional desvendado pela operação Maranello, deflagrada pela Polícia Federal (PF) no ano passado. O afastamento dos policiais é uma medida cautelar pedida nesta última quarta-feira pelo Ministério Público Federal (MPF) e está para ser julgada. O argumento do MPF é de que a atuação comprovada dos policiais nos esquemas criminosos desmantelados pela PF é sinal de que eles estão inaptos a permanecerem exercendo os respectivos cargos públicos. Neuri e Jocenil são policiais civis e Adonai, também denunciado por lavagem de dinheiro, integra a corporação da Polícia Militar (PM). Os investigadores foram presos durante a operação, mas tiveram as prisões preventivas revogadas pela Justiça ainda no ano passado. Para tanto, os advogados de ambos haviam alegado falta de provas das acusações. Outros dois policiais ainda continuam presos. Segundo a PF, Adonai está foragido. Ele era um dos cabeças do esquema desarticulado e mantinha contato direto com o advogado Edésio Ribeiro Neto, conhecido como Binho do Consil, principal mentor do esquema de narcotráfico e que também está foragido no momento. Ele lidava com financiadores, administrava e distribuía a cocaína (transportada a bordo de aviões) vinda da Bolívia até fazendas compradas em Mato Grosso. Mesmo se o afastamento for decidido pela Justiça federal, os policiais citados pelo MPF só perdem oficialmente os cargos quando forem julgadas as ações penais pelas quais eles ainda respondem. No entanto, o afastamento não deixa de ser essencial para a proteção e o resguardo da ordem pública neste momento, período no qual as provas ainda estão sendo produzidas e a Justiça ainda está se inteirando de todo o caso, avalia a procuradora Vanessa Ribeiro Scarmagnani. HISTÓRICO - A Maranello foi uma das operações mais emblemáticas da PF em Mato Grosso no ano passado e teve 35 pessoas apontadas como integrantes do esquema desarticulado que também foram devidamente denunciadas pelo MPF e agora respondem a processo na 2ª Vara Federal. O principal alvo da operação foi o narcotráfico internacional tocado por uma extensa lista de envolvidos da região, entre eles advogados e empresários. O esquema também envolvia lavagem de dinheiro, crimes contra o sistema financeiro. Cerca de R$ 3 milhões teriam sido movimentados pela quadrilha. Desdobramentos da operação ainda são produzidos este ano. Esta semana, a Justiça devolveu os carros de luxo que haviam sido apreendidos na operação Maranello aos denunciados, que ficaram como fiéis depositários. Os veículos eram frutos do lucro do narcotráfico internacional, servindo também para dar ares de legalidade ao dinheiro recolhido no esquema. Outro desdobramento da operação foi na semana passada, quando ocorreu a primeira audiência referente ao processo, promovida pela Justiça federal.