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CIDADES
Segunda-feira, 03 de Junho de 2013, 20h:37

APOSTILAS

Polícia afirma que houve negligência

Funcionária copiou textos da internet sem sequer ler e os inseriu na publicação, que seria usada em um curso oferecido pelo governo do Estado

ALECY ALVES
Da Reportagem
A Polícia Civil descarta a possibilidade de sabotagem no caso das apostilas do programa “Qualifica Mato Grosso”, do governo do Estado, que ridicularizam a história de quatro municípios do pantanal mato-grossense (Barão de Melgaço, Poconé, Santo Antônio de Leverger e Cáceres). Durante a apresentação do relatório, ontem, o delegado Anderson Veiga, coordenador de Inteligência Tecnológica Gerência de Combate a Crimes de Alta Tecnologia (Gecat), apontou para negligência e violação do direito autoral. O delegado disse que o material, que servia de base para o curso de Atendimento em Hotelaria e Turismo, dentro do programa de preparação de trabalhadores para a Copa de 2014, foi copiado de site inidôneo. Apesar de não citar nominalmente o site, os textos são idênticos aos do “desciclopédia” (http://desciclopedia.org), um espaço de humor que apresenta paródias sobre a história e costumes de todos os municípios brasileiros. Sobre Barão de Melgaço, por exemplo, a apostila traz “que de acordo com lendas passadas de geração em geração, a primeira habitação naquele cú do mundo ocorreu com um tal de Lourenço Tomé em meados do século XIX, que cuidava de uma produção de sanguessugas medicinais”. Cristiane Aparecida Mendes da Silva Hondo, que possuí ensino médio, foi contratada pelo Instituto para produzir o conteúdo não apenas das quatro, mas de outras 13 apostilas do mesmo programa. Segundo Anderson Veiga, ela também era a responsável pela revisão. Pelo crime de violação de direito autoral foi responsabilizada a Cristiane Aparecida Mendes da Silva Hondo. Ela foi contratada Instituto Concluir para montar e revisar o conteúdo intelectual até o envio à gráfica. Para o serviço, ela recebeu R$ 6 mil, divididos em duas parcelas. O problema, diz Veiga, é que ela tinha menos de dois meses para fazer as 17 apostilas sozinhas. Assim, na pressa, copiou e sequer leu o que estava copiando. Nas outras 13 apostilas, que também estão sob análise, a polícia já identificou conteúdo copiado e falhas nas referências de autorias e títulos das publicações. O presidente do Instituto Concluir, Edvaldo Paiva e diretor pedagógico, Aroldo Portela, informa o delegado, também serão indiciados por violação de direito autoral, na modalidade distribuir. A assessoria de imprensa da Secretaria de Trabalho e Assistência Social informou que a secretária Roseli Barbosa e a equipe técnica estão analisando o resultado das investigações para definir que medidas adotar.

Edição EDIÇÃO 16959




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