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CIDADES
Quarta-feira, 05 de Maio de 2010, 20h:45

AFOGAMENTO

PMs do Bope começam a ser interrogados

Policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) começam esta semana a prestar esclarecimentos à Polícia Civil sobre a morte do oficial alagoano Abinoão Soares de Oliveira, 34 anos, durante treinamento de Tripulação Operacional de Multimissão (TOMM) promovido pela Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) há quase duas semanas. Os depoimentos ocorrem num momento de incerteza sobre a continuidade da investigação civil, cujo trancamento está sendo pleiteado na Justiça a pedido de representantes do próprio Bope. Ontem, a delegada Ana Cristina Feldner, que preside o inquérito civil, ouviu cinco testemunhas do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer). Já foram ouvidos todos os alunos participantes do curso durante o qual Abinoão morreu, os três que passaram mal no mesmo exercício e os demais, inclusive os civis. Ainda faltam ser ouvidos quatro integrantes do Ciopaer, inclusive o comandante. Também esperam ser ouvidos bombeiros militares e os integrantes do Bope. Feldner não revela o conteúdo dos depoimentos, mas assegura que todos têm sido proveitosos para elucidar os detalhes da morte de Abinoão. Basicamente, o que se sabe até agora é que, junto a outros 24 militares (muitos vindos de outros Estados), ele fazia um treinamento aquático de fôlego dentro da lagoa do Manso. Durante esta atividade, o oficial não resistiu e morreu por afogamento. Outros três oficiais passaram mal, mas resistiram. Há suspeitas de que Abinoão tenha sido forçado na água, numa brincadeira comumente chamada de “caldo” que, desta vez, teria dado em tragédia. Nenhum desses fatos é comentado pelo coronel Joelson Sampaio, corregedor da Polícia Militar e ex-comandante do Bope no Estado. Ele encarregou o coronel Otomar Pereira de Pereira, que já foi sub-comandante da ROTAM (incorporada ao Bope), do inquérito militar sobre o caso. O inquérito militar corre paralelo ao da Polícia Civil, mas Sampaio não divulga qualquer andamento da investigação. A expectativa, por enquanto, fica sobre a juíza da 11ª Vara Criminal Militar, Lúcia Perufo. Ela deve decidir em breve se defere ou não o pedido de trancamento do inquérito civil feito pelo defensor público Ademar Monteiro da Silva em nome de sete oficiais do Bope. A juíza solicitou um relatório do inquérito civil para decidir, o qual já foi protocolado pela delegada Feldner com pedido de manifestação por parte do Ministério Público, mas ainda não há decisão. A Sejusp determinou a instauração de dois inquéritos para o caso, mas se o pedido de trancamento do civil for deferido, o risco é de que os fatos caiam no obscurantismo devido à recusa dos militares em revelar qualquer informação até o momento. (RD)

Edição EDIÇÃO 16959




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