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CIDADES
Quarta-feira, 18 de Junho de 2008, 21h:55

ORKUT

Pancadaria anunciada

Alunos de escolas de Cuiabá utilizam site de relacionamento para marcar brigas, com comunidades específicas inclusive

ALEXANDRE APRÁ
Da Reportagem
Depois da pancadaria em plena praça Bispo Dom José entre alunos dos colégios estaduais Nilo Póvoas e Presidente Médici, agora os estudantes estão utilizando o site de relacionamento Orkut para trocar palavrões, fazer ameaças e até mesmo para divulgar brigas com data, hora e local marcado. Um usuário chega a anunciar que “a guerra está só começando”. Em comunidades virtuais criadas pelos usuários da rede, os alunos das duas escolas trocam farpas e querem demonstrar, a toda prova, a superioridade de uma ou de outra instituição. Os internautas juram vingança a alunos da outra escola que pisaram no seu “território”. Na comunidade “Nilo Póvoas.Cuiabá”, que até ontem tinha 1.041 membros, um integrante anônimo anuncia uma briga que deveria acontecer na última quinta-feira, dia 12, às 17h, em frente ao Colégio Médici. Em resposta, outro usuário da escola rival, com grotescos erros ortográficos, diz que “então estaremos esperando, ‘vo’ ‘sentar’ chumbo no rabo de ‘vcs’”, diz a mensagem. Até mesmo uma aluna, identificada como “Karine”, incentiva a violência entre as escolas. “melhor o Médici que bateu no Nilo”, registrou. Em outras mensagens, usuários denunciam a violência com meninas. Um aluno do Nilo Póvoas jura vingança pela sua irmã, que segundo ele, apanhou em uma briga. Ele ainda afirma que vai deixar uma marca no banheiro da escola. “‘vcs’ só vão ver minha marca dentro do banheiro do Médici, não vão saber nem de onde veio, eu sei entrar e sei sair daí, vejo tudo e ninguém me vê..”. Já outros estudantes condenam a situação e dizem querer paz entre as duas instituições. “Queremos paz, queremos estudar e só”. Outros usuários reprovam as ameaças pela internet. “Maldita inclusão digital”, insiste um usuário identificado como “Felipe”, através de várias mensagens. O chefe de Operação da Delegacia Especializada do Adolescente (DEA), Wlademire Lima de Barros, informou que nos últimos dois meses, o número de registro de ocorrências de brigas entre escolas públicas quase triplicou. “Sempre houve esse tipo de ocorrência. Mas, o aumento é evidente”, afirmou. O policial ainda contou que alunos que procuram a delegacia contam que, ao sair do colégio, preferem tirar o uniforme escolar para não serem reconhecidos por ‘escolas rivais’ pelas ruas da cidade. A aluna do Colégio Presidente Médici, M.F.P, de 16 anos, disse que as perseguições de alunos das duas escolas são constantes. Ela contou que um aluno da escola está internado em estado grave depois de ser espancado em uma briga de rua. “Eu não o conheço, mas a professora disse que foi visitá-lo e ele está muito ruim”, contou. Na confusão ocorrida na praça Bispo, foram registrados pelo menos 20 ocorrências e foram instaurados procedimentos disciplinares que ainda estão sendo apurados pela polícia através de depoimentos. Depois, esses procedimentos serão enviados à Promotoria e Juizado da Infância e Adolescência. O promotor José Antônio Borges informou que depois de analisados cada caso, os menores e seus pais podem sofrer penas que vão de advertência por escrito até a internação no Complexo Pomeri. O coordenador do Programa de Segurança, Disciplina e Qualidade Social nas Escolas da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), Carlos Caetano, atribui essa situação à ociosidade dos jovens no período em que não estão na escola. “Nós estamos trabalhando e desenvolvendo projetos para que esses jovens permaneçam nos colégios desenvolvendo projetos e atividades escolares”, explicou. Os diretores das duas escolas foram procurados ontem no final da tarde, por telefone, mas a reportagem não conseguiu contato.

Edição EDIÇÃO 16959




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