CIDADES
Sexta-feira, 18 de Junho de 2010, 21h:42
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LEI SECA
Mortes aumentam em MT após vigência
Dados do Ministério da Saúde apontam 2,85% a mais de óbitos no Estado durante os 12 primeiros meses após promulgação da lei. Poucos registraram queda
O Ministério da Saúde anunciou ontem que o número de óbitos no trânsito em Mato Grosso aumentou 2,8% na comparação entre os doze meses anteriores e os doze meses posteriores à promulgação da Lei Seca (Lei 11.705). Enquanto a tendência nacional foi a esperada redução do número de óbitos, o trânsito mato-grossense produziu ainda mais vítimas. O número pulou de 885, registrados antes da Lei, para 910. Os números nacionais com os quais os dados de Mato Grosso contrastam foram puxados por reduções expressivas como nos estados do Rio de Janeiro (-32%), Espírito Santo (-18,6%) e Alagoas (-15,8%). Outra redução significativa foi a do Distrito Federal (-15,1%). Aliás, a redução no Distrito Federal foi a única na região Centro-Oeste e tão significativa que acabou levando o índice da região a uma variação de menos 0,3%. Nos estados, houve apenas aumento da quantidade de mortes no trânsito e Goiás foi o que registrou maior variação (3,1%). Os números do impacto da Lei Seca nas mortes associadas ao trânsito atendidas pelo SUS foram baseados num sistema nacional de Informações sobre Mortalidade (SIM). A Lei Seca começou a valer em 20 de junho de 2008, proibindo ao motorista o consumo de qualquer quantidade de bebida alcoólica. Antes da lei, havia tolerância para até seis decigramas de álcool por litro de sangue (cerca de dois copos de cerveja). Com um mês de vigência, em Cuiabá chegou-se a comentar que ela quase não produzia efeitos, devido à pouca fiscalização e à quantidade de aparelhos bafômetros. Porém, ao completar um ano de vigência, a aplicação da lei levou à prisão mais de 900 pessoas embriagadas em Mato Grosso. Na época, a Polícia Militar divulgou que 250 das prisões foram somente na região da Grande Cuiabá, 28% do total no Estado. Outro dado divulgado pelo Ministério da Saúde trata dos adultos que, nos últimos 30 dias do levantamento, em pelo menos uma ocasião dirigiram após abusarem do consumo de bebida alcoólica nas capitais. O percentual de Cuiabá é um dos mais altos 2,4%. Desses, 4,9% são do sexo masculino. Sobre os dados mato-grossenses, o diretor geral do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Daoud Abdallah, afirmou ontem que ainda não tinha visto os números do governo federal e os critérios que chegaram a eles. Entretanto, comentou que, numa percepção geral sobre o número de óbitos relacionados ao trânsito no Estado, houve uma diminuição, sim. Abdallah destaca que as pessoas têm se precavido mais ao volante, como ao fazer mais uso do cinto de segurança. A reportagem tentou obter contato telefônico com o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Osmar Lino Farias, para comentar os dados da Lei Seca, sem sucesso. Já o inspetor da Polícia Rodoviária Federal, Vanderlei Muñoz, afirmou que não tomou conhecimento total dos números e, por isso, não seria possível abordá-los.