CIDADES
Segunda-feira, 06 de Junho de 2011, 21h:05
A
A
BACIA DO CUIABÁ
Margens do rio em desmoronamento são replantadas na região
Agecopa e governo lançaram ontem programa para compensar uso de carbono com construção da Arena que vai beneficiar ribeirinhos com reflorestamento
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Um dos principais formadores do Pantanal, o rio Cuiabá apresenta desmoronamento em diversos pontos de suas margens. Uma das áreas mais degradadas fica na região do Barranco Alto, em Santo Antônio de Leverger (35 quilômetros de Cuiabá). Foi lá que ontem o governo do Estado, a Agência Estadual de Execução dos Projetos da Copa de 2014 e o Instituto Ação Verde lançaram o programa que pretende neutralizar ou compensar o carbono emitido com a construção da Arena Pantanal recuperando a mata ciliar e gerando renda. Denominado Copa Verde, o projeto será desenvolvido por comunidades dos municípios de Cuiabá, Várzea Grande, Barão de Melgaço, Nobres, Acorizal, Jangada, Poconé, além de Santo Antônio. Juntas, elas plantarão 1,4 milhão de árvores em locais degradados ao longo dos 828 quilômetros do Cuiabá e dos rios Paraguai e São Lourenço. Esta é uma demonstração de que todos estão comprometidos como o meio ambiente e do que queremos fazer com os rios que cortam o Estado, disse o governador Silval Barbosa. O projeto irá beneficiar três mil famílias ribeirinhas. Do total, 2.034 residem em áreas de preservação permanente (APP) à beira do rio Cuiabá. Entre os habitantes está a família do senhor Manoel José de Arruda, de 80 anos, que reside no sitio Jatobá, área em que ontem mesmo foi feito o plantio de 500 mudas. Arruda contou que nasceu na comunidade e há alguns anos limpou a área em frente à sua casa, mas que não sabia dos danos que o desmatamento poderia causar. Agora com as árvores, vai melhorar, comentou seu Manoel, que não tinha ideia de quanto vai ganhar com o crédito de carbono gerado pelas novas árvores, que será comprado pela Agecopa. Conforme o presidente da Agência Estadual, Éder Moraes, nos próximos três anos serão destinados R$ 3,5 milhões para o projeto, dos quais R$ 710 mil serão pagos diretamente aos moradores das localidades pela venda do crédito de carbono. Assim como o governador, Moraes demonstrou ainda preocupação com o esgoto jogado de forma in natura nos córregos e leitos dos rios que cortam o Estado. Dentro dos projetos para a Copa temos programas voltados para o tratamento do esgoto sanitário, afirmou. Um dos córregos que deverá ser beneficiado é o da Prainha (por onde vai passar o novo sistema de transporte da Capital). A intenção do Estado é firmar parcerias com os municípios com até 50 mil habitantes para a realização de serviços de saneamento. De acordo com o presidente do Instituto Ação Verde, Carlos Avalone, a construção da Arena Pantanal emitirá 711 mil toneladas de carbono equivalente. Em média, cada árvore sequestra 138 quilos de carbono durante o período de 30 anos. Para cada tonelada de carbono emitido serão necessárias sete novas árvores para a compensação, informou. Inicialmente, o plantio será feito em mil hectares, sendo que cada hectare sequestra cerca de 12 toneladas de carbono ao ano. As famílias ribeirinhas beneficiadas serão responsáveis pelo cuidado e acompanhamento das mudas, conforme Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público do Estado (MPE). Elas receberão aulas sobre educação ambiental e o pagamento pela venda do carbono será repassado em parcelas anuais para as comunidades ou individualmente aos prodotores. Conforme a assessoria de imprensa da Agecopa, a comercialização do crédito de carbono será realizada por meio da Plataforma de Negociações de Bens e Serviços Ambientais e Ecossistêmicos do Instituto, onde os grupos são cadastrados e os estoques de carbono, registrados. O projeto também quer preparar os ribeirinhos para receber pagamento por serviços ecossistêmicos de água e biodiversidade e estuda metodologias para que todos os 42 serviços que podem ser prestados por uma árvore possam ser passíveis de remuneração no futuro.