CIDADES
Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008, 20h:24
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ABASTECIMENTO
Leverger está sem água há um mês
ALECY ALVES
Da Reportagem
Em Santo Antônio de Leverger, a 35 quilômetros de Cuiabá, a população está sem água. Há pelo menos 30 dias a água não chega às torneiras das casas na maioria dos bairros, entre os quais Nossa Senhora de Fátima, COHAB Marechal Rondon, Altos de Leverger e Fronteira. A situação se repete na área central, onde estão instalados os maiores estabelecimentos comerciais. Há casos de empresários, em especial aqueles que vendem alimentos prontos, que estão sendo obrigados a fechar as portas por falta de água para lavar louça e preparar refeições e lanches. Está faltando água também na Delegacia de Polícia, onde trabalham nove policiais por plantão e pelo menos 20 pessoas são atendidas diariamente. O problema atinge ainda o presídio estadual de policiais e ex-policiais militares que respondem ou foram condenados, instituição que atualmente está com 72 detentos e mantém diariamente um efetivo de 20 agentes prisionais e 15 PMs. Desde que começou a crise do abastecimento, há cerca de três meses, o presídio vem sendo abastecido por caminhões contratados pela Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) que levam água de Cuiabá para o município pelo menos a cada 10 dias. Já a população vem sendo atendida precariamente por caminhões-pipa da prefeitura. Ontem pela manhã, dezenas de moradores, na sua maioria donas-de-casa, saíram às ruas levando baldes vazios para reclamar da falta dágua e da demora na construção da nova Estação de Tratamento de Água (ETA) da cidade. Para ofuscar o manifesto, cabos eleitorais do atual prefeito e candidato à reeleição, Faustino Dias, fizeram um bandeiraço e seguiram os manifestantes. O sistema de som da campanha foi mantido com um volume que superou o pequeno e humilde som automotor usado pelos moradores. Por causa disso, os ânimos se alteraram e a Polícia Militar teve de intervir afastando os cabos eleitorais e assegurando a liberdade de expressão aos que protestavam. Assim, as donas-de-casa puderam seguir pelas ruas catando a paródia da música Asa Branca, do falecido cantor e compositor Luiz Gonzaga, que fizeram para o manifesto. Hoje o povo está na rua, fazendo sua reivindicação, querendo água, água tratada, na torneira de sua casa. ETA, ETA, ETA, ETA, oi, ai meu Deus. Também indagações: Cadê a ETA, prefeito?, numa referência a demora na conclusão da obra. No sexto mês de gravidez, Cristiane de Pinho, moradora do bairro Nossa Senhora de Fátima, fez questão de protestar. Segundo ela, em sua casa há 30 dias a água não chega nem no cavalete (registro de onde a água deveria subir para o reservatório). Precisamos vir aqui, nos humilhar para pedir água, reclama. Iraceli Costa diz que, além de escassa, a água que a prefeitura está levando às casas é de péssima qualidade. Não é tratada e tem um cheiro horrível.