Os índios da etnia Enawenê Nawê liberaram a rodovia MT-170 após negociações com a Prefeitura de Juína (737 Km de Cuiabá) e com o governo do Estado. Eles vieram para a Capital do estado na tarde de ontem, de onde deveriam partir para Brasília. Porém, o ônibus que os levaria para o Distrito Federal, que no acordo seria concedido pelo Estado, não foi fornecido. De acordo com o coordenador da Coordenação Regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), Antonio Carlos Aquino, na reunião de ontem ficou acordado que o transporte de Juína a Cuiabá seria concedido pela prefeitura e o trajeto da capital mato-grossense a Brasília seria de responsabilidade do Estado. Vai ser outra novela quando estes índios chegarem lá e não terem como chegar a Brasília, disse. A titular da Superintendência Indígena, Janaína de Oliveira, afirmou que não é de obrigação do Estado fornecer este transporte. Ela disse que há uma solicitação para que isso seja feito, mas que mesmo que o meio de locomoção seja concedido, há todo um processo burocrático e prazos a serem cumpridos. Os indígenas bloquearam a rodovia na madrugada de terça-feira e cobravam pedágios dos veículos que quisessem passar. Para caminhões e ônibus, o valor a ser pago era R$ 100. Para caminhonetes e carro, R$ 60 e para motocicletas, R$ 30. Dentre as reivindicações, estão: a construção de uma estrada que ligue o município de Juína até a aldeia, melhor atendimento na Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e a construção de um posto de saúde próximo ou no local, para que os integrantes da etnia possam ser atendidos. Atualmente, a única forma de chegar até aldeia, onde moram aproximadamente 700 índios, é pelo rio. O percurso demora dez horas, e com construção da estrada, seria encurtado para duas horas de viagem. (SM)